"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
Textos


Ninguém presencia a dor.
A dor sofre solitária.
Calada.
Prostrada num canto.
Imantada de saudades
e suspiros.

 A dor de perder.
A dor de sentir-se rejeitada.
Odiada.
Incompreendida.

A dor de não ser aquilo
que desejam.
E nem aquilo que nós desejamos.

O ideal perfeito e
infalível que negamos
todos os dias.

Pois somos humanos.
Erráticos.
Atávicos.

Vagamos entre a essência e a existência.
Entre a alma e o corpo.
Pulamos de costas da ponte
para acordar de manhã,
para novo e velho dia.

E ficamos a sós
com dores íntimas
que latejam pela consciência afora.
Pela loucura de ser apenas o que se é.
E, pagar o alto preço
de não se arrepender.

De não voltar atrás.
De não se redimir
De não se quedar
como vencida.

Quando morremos
Ainda assim a dor 
sobrevive
em forma de poemas,
de escritos, bilhetes,
dilemas riscados em equações
E explicados coerentemente
por inequações.

Sobreviventes que somos
de todas as diferenças.
Das misérias intrínsecas e
das riquezas interiores.

Nos irmanamos pela igualdade
sonhada, pretendida e
arquitetada em isonomia.
A mendigar atenção e alguma alegria.

Todos queremos a função do afeto.
Queremos o alvo do afeto.
E, se o afeto não existir.
A gente inventa.
Recria.
Desenha.

Ser vivente
Balouçante ao vento.
Ao pensamento.

As ideias percorrem as pernas.
Traçam caminhos
E, cambaleantes
caem mortas no torvelinho
das paixões.

As dores
amam-se a si mesmas
no reflexo diário
do espelho sem fundo.


 
Gisele Leite
Enviado por Gisele Leite em 06/09/2017
Alterado em 06/09/2017

Música: Retrato De Pixinguinha (choro - Chiquinho, Raphael R

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