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boicote
vivo perdendo as coisas
são óculos, lápis e caminhos coisas muitos plurais para uma vida singular e turbulenta as coisas vivem se perdendo de mim memórias, canções e sentimentos que vou deixando por aí espalhados, caóticos e à procura de mim mesma os espelhos da vida,já não refletem todos, a minha imagem deixam-me a face em jejum de identidade e, oca e sem graça tropeça na calçada assustada com algo com sombras, sons irreconhecidos vivo perdendo as coisas na verdade é um auto-boicote é como se eu quisesse parar, estancar estagnar e, por fim secar todas as fontes, e forças de mim mesma quem sabe assim perdida sem elos e vínculos no torvelinho dos moinhos eu encontre meu Dom Quixote ou Sancho Pança Mas meu fiel escudeiro é a adorada Dulcinéia que adora ferramentas que pinta, borda, cozinha e ainda, se esforça para ganhar do tempo perdido perdidas emoções talhadas no rosto na alma, de quem quis acertar de quem se arremessar, sem se perder vivo perdendo as coisas, não sei se é desleixo, se é mania, se é enlevo ou a revelação secreta de minha consciência a me revelar na surdina que, o que há dentro de mim, de minhas veias e versos jamais escapará de mãos e de minhas rezas. não vou me boicotar pelo simples prazer de perder sem dar um tiro, sem ir a guerra e enfrentar os monstros ou moinhos. ainda que para isso eu tenho que perder de vez toda a decência
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 15/04/2008
Alterado em 16/04/2008 Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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