"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

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A existência de Deus

A existência de Deus

 

Blaise Pascal inventou algo que ficou conhecida como aposta pascaliana, que Jacques Lacan , no século XX, gostava de citar como metáfora para o final de analise, coisa tão difícil e ver quanto amor verdadeiro...

O psicanalista francês afirmava que um paciente que fez bem sua análise estaria na condição do crente de Pascal: a via é uma questão de aposta e não segurança absoluta novo, como o amor verdadeiro.

A aposta de Pascal é um argumento filosófico do século XVII criado por Blaise Pascal que usa a teoria das probabilidades para defender que é mais racional acreditar em Deus do que ser ateu.

Como funciona o argumento:

Crer e Deus existir: O ganho é infinito, pois você alcança a salvação e a vida eterna no paraíso.

Crer e Deus não existir: A perda é finita e mínima, limitando-se aos pequenos sacrifícios ou prazeres abertos em vida.

Não crer e Deus existir: A perda é infinita, resultando na condenação eterna.

Não crer e Deus não existir: O ganho é finito, apenas a liberdade de viver sem religião.

O mais citado momento de sua aposta era mostrar para o descrente que ele era um sujeito sem informação e pouco racional, porque se o fosse, saberia que o mais racional e útil era apostar na existência de Deus.

Porque caso você apostasse em sua não existência, você viveria os poucos anos de sua vida terrena sem levar em conta a vontade de Deus e, depois depararia com o Eterno do outro lado cobrando tudo de errado que você durante a sua vida.

Qualquer quantidade que você aposte contra o infinito é um nada, por isso, quando descreve sua aposta se chama infinito, nada. O infinito é Deus e nós somos o nada.

Se você apostasse que Deus existe, e vivesse seus poucos anos aqui levando em conta a vontade de Deus, e tivesse uma vida “sem graça porque santinha”, e Deus não existisse, você não realizaria a perda, porque morreria e sua alma deixaria de existir; logo, você não tomaria consciência de que fez uma aposta errada.

Se você apostasse na existência de Deus e Ele existisse, aí você seria recompensado com uma eternidade de leite e mel, bem ao contrário daquele descrente que não quis se limitar nesta vida, mas acabou por amargar uma eternidade de sofrimento.

Pascal estaria nos dizendo que o mais racional é apostar na existência de Deus porque o risco contrário seria muito pior (Pascal era um exímio jogador de dado, um verdadeiro viciado).

Existe um segundo momento da aposta menos citado e fundamental para o argumento de Pascal. Uma vez tendo ouvido o discurso do crente, que quer provar que a crença em Deus é mais racional em termos de probabilidade (Pascal é um dos fundadores do cálculo de probabilidades em matemática), o descrente diz que, mesmo reconhecendo a força lógica da aposta, não consegue crer em Deus.

Ao que Pascal responde logo: a fé é fruto da graça divina, é sobrenatural, e não fruto de cálculo racional. Com isso, Pascal quer dizer que não adianta tentar provar a existência de Deus, porque não chegamos à fé pelo uso da razão e seus argumentos, mas sim pelo fato de Deus nos dar ou não a graça de ter fé Nele.

Existe um segundo momento da aposta menos citado e fundamental para o argumento de Pascal. Uma vez tendo ouvido o discurso do crente, que quer provar que a crença em Deus é mais racional em termos de probabilidade (Pascal é um dos fundadores do cálculo de probabilidades em matemática ), o descrente diz que, mesmo reconhecendo a força lógica da aposta, não consegue crer em Deus.

Evidente que cogitar que crer em Deus é fruto da graça de Deus, é já crer Nele de alguma forma. Mas posso sair desse ciclo teológico e pensar que crer em Deus é mais fruto de causas extrarracionais como educação, traumas infantis, ambiente cultural familiar, ter um “cérebro de crente” do que pensar que crer em Deus é fruto de uma cadeia lógica de provas a seu favor. A mesma coisa vale para a descrença.

Noutros termos, não acredito que crer em Deus seja uma coisa que você escolhe, assim como você escolhe uma marca de sabonete ou uma marca de carro com base na lógica custo-benefício. Acho que argumentos que tentam provar a existência de Deus são inúteis.

Principais Críticas:

Crença interesseira: Críticos apontam que amar a Deus por cálculo matemático não é fé genuína.

O problema das várias religiões: O argumento não define qual deus ou religião deve ser o alvo da aposta.

Custo de vida: Ateus argumentam que viver sob dogmas religiosos representa uma perda real de tempo e autonomia caso Deus não exista.

Muita gente tenta provar a existência de Deus dizendo que o universo “necessita” de um princípio ordenador de tudo, o que eu julgo infantil como argumento.

Tudo isto aqui pode ser fruto de um grande acaso num espaço de tempo inimaginável no qual os elementos se arrumam e desarrumam, e no meio deles nós surgimos e desaparecemos.

Tenta provar a existência de Deus dizendo que o universo “necessita” de um princípio ordenador de tudo, o que eu julgo infantil como argumento. Tudo isto aqui pode ser fruto de um grande acaso num espaço de tempo inimaginável no qual os elementos se arrumam e desarrumam, e no meio deles nós surgimos e desaparecemos.

Na filosofia contemporânea, a existência de Deus deixa de ser tratada como uma certeza metafísica universal e passa a ser analisada sob a ótica da linguagem, da crítica radical, da fenomenologia e da revitalização da lógica analítica.

A inversão de Dostoiévski

O escritor Fiódor Dostoiévski afirmou celebremente: "Se Deus não existe, tudo é permitido". Lacan propõe uma inversão radical: "Se Deus não existe, tudo é proibido".

Quando o sujeito percebe a ausência de Deus, as proibições que antes estavam ligadas a uma entidade divina passam a operar de forma inconsciente.

Quanto mais o indivíduo se declara ateu, mais o seu inconsciente pode ficar preso a exigências e culpas severas que limitam o seu gozo.

O nome de Deus como vazio: Na interpretação bíblica de passagens como a resposta de Javé a Moisés ("Eu sou o que sou"), Lacan enxerga um Deus sem nome próprio definitivo.

Principais Correntes e Visões

Crítica e Morte de Deus: Com Friedrich Nietzsche no final do século XIX e ecoando no século XX, o conceito da "morte de Deus" aponta o fim dos grandes fundamentos metafísicos para a moral e a verdade, exigindo que o ser humano assuma a responsabilidade por seus próprios valores.

Existencialismo: Filósofos como Jean-Paul Sartre argumentam que, mesmo se Deus existisse, isso não mudaria a condição humana, pois o homem é livre e definido por suas próprias ações.

Já pensadores cristãos como Gabriel Marcel veem Deus não como um objeto de prova científica, mas como um "Tu" transcendente acessível pela experiência intersubjetiva e pela fé.

Filosofia da Religião Analítica: No mundo anglo-saxônico contemporâneo, filósofos como Alvin Plantinga revitalizaram o debate com a epistemologia reformada, argumentando que a crença em Deus pode ser "propriamente básica" e racionalmente defensível sem precisar de provas clássicas.

Outros usam versões refinadas do argumento cosmológico (como o argumento Kalam).

Hermenêutica e Pós-modernidade: Pensadores como Paul Ricoeur e Emmanuel Levinas relacionam o divino à ética e ao apelo do "Outro", afastando a ideia de Deus como causa física e posicionando-o no horizonte do sentido e da alteridade.

Para a metafísica, Deus é compreendido principalmente como o primeiro motor imóvel, a causa primária ou o ato puro que dá origem e sustenta a realidade, dispensando a figura de um Deus estritamente religioso ou antropomórfico.

O Conceito Clássico (Aristóteles)

Primeiro Motor Imóvel: Na Metafísica de Aristóteles, tudo no universo é movido por algo anterior. Para evitar uma regressão infinita, postula-se um ente que move todas as coisas sem ser movido por nenhuma.

Ato Puro: É a perfeição máxima, uma realidade totalmente atualizada que não possui potencialidades não realizadas ou passividade.

Pensamento do Pensamento: Esse Deus não interfere no mundo por meio de desejos ou preces; ele se contempla eternamente, sendo o objeto de atração e ordem de todo o cosmos

Desdobramentos na Filosofia

Tomás de Aquino: Utilizou a base metafísica aristotélica para formular as famosas "cinco vias" racionais que provam a existência de Deus como causa eficiente e ordem do universo.

Descartes: Nasceu de uma necessidade epistemológica em suas Meditações Metafísicas, onde a existência de um Deus perfeito garante a veracidade do conhecimento humano e do mundo exterior.

Spinoza: Identificou Deus com a própria Natureza (Deus sive Natura), unindo o Criador e a criação em uma única substância infinita.

Críticas Modernas: Filósofos como Martin Heidegger criticaram o "Deus da metafísica" por reduzi-lo a um mero "ente supremo" ou objeto conceitual, distanciando-se do ser autêntico.

 

 

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/09/2026
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