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![]() Bárbaros, barbárie e civilizaçãoBárbaros, barbárie e civilização. Bárbaros eram todos aqueles que não partilhavam de seus idiomas e culturas, eis a visão dos gregos e romanos. Para os romanos, os germânicos tiveram grande importância e habitavam o norte do Velho Mundo, em uma região denominada de Germânia. Os germanos eram formados por diversos povos e, a partir do século III d.C., começaram migrar e invadira s terras do Império Romano do Ocidente. A origem da palavra bárbara é grega para se referir a todos os povos que não falavam o idioma grego e, não compartilhavam da mesma cultura, organização social e política dos gregos. E, expressava seu desprezo pelas culturas alheias, indicando que eram atrasados e inferiores. A primeira menção da palavra bárbaro está registrada na Ilíada escrita por Homero. Servia de critério de diferenciação entre gregos e não gregos. É fato que o termo galgou um sentido estereotipado e até agressivo e hostil, particularmente, a partir das Guerras Médicas e, assim, o bárbaros se tornaram sinônimo de tudo que era indesejado e foram vistos como incultos e incivilizados. O primeiro dos povos a ser chamado de bárbaro na perspectiva grega foi o persa. Porém, a mesma designação foi usada por outros povos como os egípcios, celtas, fenícios e tantos outros. O vocábulo bárbaro oriundo da sonoridade “bar bar bar “sendo assim uma reduplicação onomatopaica, segundo a pesquisadora Ioannis Petropoulos (vide em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/ellinikovlemma/article/view/33684/23848). Registre-se ainda que existiam conflitos entre os germânicos e o historiador romano Tácito que registro como os desentendimentos entre os povos bárbaros facilitavam o labor de assimilação e conquista realizado pelos romanos. Aliás, a relação entre romanos e germânicos sempre foi conturbada e nada pacífica, e um dos exemplo foi a Batalha da Floresta de Teutoburgo que aconteceu em 9 d.C. Nessa batalha, os romanos liderados por Públio Quintílio Varo sofreram uma das mais graves derrotas quando três legiões romanas foram destruídas por Armínio, líder dos queruscos. "Com isso, diferentes povos estabeleceram-se em diferentes locais do Império Romano do Ocidente. Anglos e saxões foram para a Bretanha; francos estabeleceram-se na Gália; visigodos e suevos, na Península Ibérica; vândalos, no norte da África; ostrogodos, no norte da Península Itálica”. O estabelecimento dos reinos germânicos contribuiu para acelerar o processo de assimilação cultural de romanos e germânicos que marcou a Europa na Idade Média. "Até o século III d.C., os povos germânicos ficavam em limes, região fronteiriça do Império Romano. A partir desse século, os diferentes povos germânicos começaram a mover-se e a migrar para dentro das terras romanas. Isso acabou precipitando o fim do Império Romano do Ocidente, uma vez que nessas terras estabeleceram-se diferentes povos estrangeiros. Os historiadores especulam que três fatores podem ter sido cruciais para as migrações germânicas. Havia a procura por terras mais férteis e a procura por locais com climas mais amenos para que pudessem estabelecer-se. Por fim, a chegada dos hunos, um povo vindo da Ásia Central, teria sido o terceiro fator. Os hunos eram temidos, e sua chegada teria disseminado pânico e feito com que diferentes povos começassem a migrar para fugir deles." De certo, a decadência do Império Romano do Ocidente foi dinamizada em razão de povos bárbaros. As principais nações germânicas eram: visigodos, ostrogodos, vândalos, bretões, saxões, francos e etc. Entre os povos germanos foi o mais significativo para a formação da Europa Feudal. Sua organização política dos germanos era bastante simples, e quando em paz eram governados por assembleia de guerreiros, formada pelos homens da tribo em idade adulto. Tal assembleia não tinha poderes legislativos e suas funções se restringiam à interpretação dos costumes. Também decidia as questões de guerra e de paz, ou se a tribo deveria migrar para outra localidade. Já em tempo de guerra, a tribo era governada por uma instituição denominada comitatus. E, era a reunião de guerreiros em torno de um líder militar, ao qual todos deveriam total obediência. E, esse líder, era eleitor e tomava o título de Herzog. Na maior parte do tempo os germanos vivam de uma agricultura rudimentar, da caça e da pesca. E, por não dominarem bem as técnicas agrícolas, eram seminômades, pois não sabiam reaproveitar o solo cansado das plantações. A propriedade da terra era coletiva e quase todo trabalho era executado pelas mulheres. E, quanto aos homens quando não estavam caçando ou lutando, gastavam seu tempo embriagando-se ou simplesmente dormindo. Tinham uma religião politeísta e adoravam as forças da natureza. Seus principais deuses eram: Odin, protetor dos guerreiros. Thor, o deus do trovão, Fréia, a deusa do amor. E, acreditavam que somente os guerreiros mortos em combate iriam para o Vallhala, uma espécie de paraíso. Aliás, as Valquírias que eram as mensageiras de Odin visitavam os campo de batalha, carregando os mortos. As pessoas que morriam de velhice ou de doenças iriam para o reino do Hell, onde só existia trevas e muito frio e solidão. Devido à expansão do Império Romano, a partir do século I, os romanos mantinham contato pacífico com povos bárbaros, principalmente os germanos. Muitos desses povos migraram para o Império Romano e chegaram a ser utilizados no exército como mercenários. Porém, no século V, os germanos foram pressionados pelos belicosos hunos . Os hunos, de origem asiática, deslocaram-se em direção à Europa e atacaram os germanos, levando-os a fugir. Estes, acabaram por invadir o Império Romano, que enfraquecido pelas crises e guerras internas, não resistiu às invasões e decaiu. No antigo mundo romano nasceram vários reinos bárbaros. "(...) Não têm eles (os hunos) necessidade de fogo nem de comidas temperadas, mas vivem de raízes selvagens e de toda espécie de carne que comem meio crua, depois de tê-la aquecido levemente sentando-se em cima durante algum tempo quando estão a cavalo. Não têm casas, não se encontra entre eles nem mesmo uma cabana coberta de caniço. Vestem-se panos ou peles de ratos do campo. (...) Nenhum cultiva a terra nem toca mesmo um arado. Sem morada fixa, sem casas, erram por todos os lados e parecem sempre fugir com as suas carriolas. Como animais desprovidos de razão, ignoram inteiramente o que é o bem e o que é o mal; não têm religião, nem superstições; nada iguala sua paixão pelo ouro.". Reinos dos Visigodos : situado na península ibérica, era o mais antigo e extenso. Os visigodos ocupavam estrategicamente a ligação entre o Mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, que lhes permitia a supremacia comercial entre a Europa continental e insular. Reino dos Ostrogodos : localizam-se na península Itálica. Os ostrogodos se esforçaram para salvaguardar o patrimônio artístico-cultural de Roma. Restauraram vários monumentos, para manter viva a memória romana. Conservaram a organização político-administrativa imperial, o Senado, os funcionários públicos romanos e os militares godos. Reino do Vândalos : o povo vândalo atravessou a Europa e fixou-se no norte da África. Nesse reino houve perseguição aos cristãos, cujo resultado foi a migração em massa para outros reinos, provocando falta de trabalhadores, e uma diminuição da produção . Reino dos Suevos : surgiu a oeste da península Ibérica e os suevos viviam da pesca e da agricultura. No final do século VI, o reino foi absorvido pelos visigodos, que passaram a dominar toda península. Reino dos Borgúndios : os borgúndios migraram da Escandinávia, dominaram o vale do Ródano até Avinhão, onde fundaram o seu reino. Em meados do século VI, os borgúndios foram dominados pelos francos. Reino do Anglo-Saxões : surgiu em 571, quando os saxões venceram os bretões e consolidaram-se na região da Bretanha. No processo de invasão e formação dos reinos bárbaros, deu-se ao mesmo tempo, a "barbarização" das populações romanas e a "romanização" dos bárbaros. Na economia, a Europa adotou as práticas econômicas germânicas, voltada para a agricultura, ode o comércio era de pequena importância. Apesar de dominadores, os bárbaros não tentaram destruir os resquícios da cultura romana; ao contrário, em vários aspectos assimilaram-na e revigoraram-na. Isso se deu, por exemplo, na organização política. Eles que tinham uma primitiva organização tribal, adotaram parcialmente a instituição monárquica, além de alguns mecanismos e normas de administração romana. Muitos povos bárbaros adotaram o latim com língua oficial. Os novos reinos converteram-se progressivamente ao catolicismo e aceitaram a autoridade da Igreja Católica, à cabeça da qual se encontrava o bispo de Roma. Com a ruptura da antiga unidade romana, a Igreja Católica tornou-se a única instituição universal europeia. Essa situação lhe deu uma posição invejável durante todo o medievalismo europeu. A Idade Média foi um período histórico que durou cerca de mil anos, iniciando-se em 476 com a queda do Império Romano do Ocidente e terminando em 1453 com a queda do Império Bizantino. Os povos bárbaros foram grupos étnicos que invadiram o Império Romano, contribuindo para a sua queda e dando início à Idade Média. Entre os principais povos bárbaros estão os visigodos, ostrogodos, hunos, francos, anglo-saxões e vikings. Cada povo bárbaro tinha sua própria cultura, língua e costumes, mas todos eram considerados “bárbaros” pelos romanos por não seguirem as tradições e leis romanas. Os bárbaros foram responsáveis por muitas mudanças na Europa durante a Idade Média, incluindo a formação de novos reinos e a disseminação do cristianismo. Apesar de muitos estereótipos negativos associados aos povos bárbaros, eles também contribuíram para a cultura europeia, trazendo novas formas de arte, música e literatura. A Idade Média não foi um período de escuridão e ignorância como muitas vezes é retratado, mas sim, um período de mudanças significativas na história europeia. As invasões bárbaras tiveram um grande impacto na sociedade medieval. Elas causaram a queda do Império Romano do Ocidente e levaram à formação de novos reinos bárbaros na Europa. Essa instabilidade política também contribuiu para o surgimento do feudalismo, sistema que dominou a Europa medieval por muitos séculos. Os bárbaros também deixaram uma marca cultural na Idade Média. Eles trouxeram novas técnicas de agricultura, metalurgia e construção, além de influenciarem a língua e a religião dos povos europeus. Muitas tradições e costumes medievais têm origem nas culturas bárbaras. A religião dos povos bárbaros também foi importante na história medieval. Muitos deles eram pagãos e adoravam divindades da natureza, mas com o tempo foram se convertendo ao cristianismo. Essa conversão teve um grande impacto na fé cristã, pois os bárbaros trouxeram uma nova perspectiva sobre a religião. Por fim, o legado deixado pelos povos bárbaros na história europeia e ocidental é inegável. Eles foram responsáveis por moldar a Europa medieval e deixaram uma marca cultural que ainda é sentida nos dias de hoje. Sem os bárbaros, a história da Idade Média seria muito diferente. Visigodos : Povo germânico que se estabeleceu na Península Ibérica após a queda do Império Romano. Eram cristãos arianos e tinham uma sociedade dividida em nobres e camponeses. Contribuíram para a formação da língua espanhola e deixaram um legado arquitetônico, como a Igreja de São João Batista em Baños de Cerrato. Francos : Povo germânico que se estabeleceu na região da atual França. Tinham uma sociedade dividida em nobres e camponeses e eram cristãos católicos . Contribuíram para a formação da língua francesa e deixaram um legado arquitetônico, como a Catedral de Reims. Anglo-Saxões: Povo germânico que se estabeleceu na Inglaterra após a queda do Império Romano. Tinham uma sociedade dividida em nobres e camponeses e eram politeístas. Contribuíram para a formação da língua inglesa e deixaram um legado arquitetônico, como a Abadia de Westminster. Vikings : Povo nórdico que realizava incursões em diversos locais da Europa. Eram pagãos e tinham uma sociedade dividida em jarls (nobres), karls (camponeses) e thralls (escravos). Contribuíram para a formação da língua inglesa e deixaram um legado arquitetônico, como o Castelo de Dublin. Hunos : Povo nômade que realizava incursões em diversos locais da Europa e Ásia. Eram pagãos e tinham uma sociedade liderada por um rei. Deixaram um legado cultural, como a música e a dança, e contribuíram para a formação da língua húngara. Os reinos possuíam estrutura independente com administração própria. Esse sistema foi mantido durante parte da Idade Média. Os principais reinos bárbaros foram: Reino dos Anglo-Saxões: localizado na faixa leste da Grã-Bretanha; Reino dos Vândalos, localizado nas ilhas da Córsega, Sardenha e na costa norte da África. Atuavam sob a liderança de Genserico. Essa região, posteriormente, passou para o controle dos muçulmanos; Reino dos Burgúdios, localizado na região central da Europa; Reino dos Alamanos , onde atualmente é a República Tcheca; Reino dos Suevos, ao noroeste da Península Ibérica; Reino dos Ostrogodos onde atualmente é a Itália, Áustria, Sérvia, Eslovênia, Montenegro e Albânia. Estes buscaram manter as tradições romanas, mas quando o Império Bizantino conquistou a Itália, esta monarquia do rei Teodorico chegou ao fim. Reino dos Francos, localizado onde atualmente é a França e a Bélgica. Este foi um dos principais durante a Alta Idade Média, essencialmente durante o reinado de Carlos Magno. Esse foi o que teve o maior tempo de duração e tornou-se posteriormente um império conhecido como Império Carolíngio. O reino dos visigodos dominou a Espanha e todo o Sul da Gália, mas foram expulsos pelos Francos na Gália. Referências SILVA, Daniel Neves. "Bárbaros (povos germânicos)"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/os-barbaros.htm. Acesso em 18 de julho de 2023. PETROPOULOS, Ioannis. Desconstruindo o conceito de bárbaro com a ajuda de Kaváfis. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/ellinikovlemma/article/view/33684 Acesso em 12.7.2023. LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Petrópolis: Vozes, 2016. p. 23-24. GONÇALVES, Ana Teresa Marques. A construção da imagem do outro: romanos, germanos nas fronteiras do Império; uma análise da Germânia de Tácito". Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/phoinix/article/view/33420 Acesso em 12.7.2023.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 30/08/2026
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