Basta
Por hoje basta de lamúrias, lamentos e choros.
Lágrimas amargas por falta de amor.
Lágrimas ácidas pela visão tardia do inferno.
Por hoje basta.
Não vivemos sem aprendizado.
E, aprender também inclui sofrer, refletir e até se arrepender.
Basta de tanta culpa sobre os ossos.
Por tanto rancor enraizado na alma.
Ou das reticências de palavras jamais ditas.
Mas, sentidas e mastigadas pelo âmago.
Por hoje, basta.
De silêncios capciosos.
De indiretas irônicas.
De brincadeiras que só visam ofender.
E, por alardearem diferenças e discrepâncias.
Somos ímpares e pares.
Somos diversos e comuns.
Somos homogêneos em meio a heterogenia.
Pouco importa do que gostas.
Pouco importa sua preferência ou cultura.
Pouco importa suas vestes ou elegância.
Somos apenas e, sobretudo, seres humanos.
De infância longa, de maturidade incerta.
Mas, de finitude certeira.
A todos à morte chegará.
Tarde ou cedo.
Na hora certa, ou por mero acaso.
O ponto final nos nivela aos rés do chão.
Aos flores aos mortos.
O afeto aos mortos.
A saudade dos mortos.
As culpas sepultadas na lápide.
Enfim, por hoje, basta de sofrer.
Entenda que tudo é aprendizado.
Um tropeço, um escorregão e até um tombo.
O que vale é não desistir nunca.