"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

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Quem é o homem?

 

O homem é mal por natureza por natureza, a menos que precise ser bom.
O homem nasce como uma "folha em branco".
O homem é bom, a sociedade é que o corrompe.

O homem é lobo do homem,  em guerra de todos contra todos.
O homem é macaco cego, robusto e irracional que carrega um macaco aleijado que enxerga.
O homem é um corda esticada entre o animal e o super-homem.
O homem é um animal político.

 

Para a filosofia, o homem não possui uma definição única e estática. A sua essência é investigada por um ramo específico chamado Antropologia Filosófica, que analisa o ser humano através de diferentes lentes ao longo da história

 

A filosofia cristã, influenciada por Santo Agostinho e Tomás de Aquino, define o homem como uma unidade indissociável de corpo e alma, dotado de livre-arbítrio e criado por Deus.

Boécio o caracteriza como "substância individual de natureza racional".

 

René Descartes marca o início do pensamento moderno com o postulado Penso, logo existo (Cogito, ergo sum)), definindo o ser humano essencialmente pelo pensamento e autoconsciência.

 

O Existencialismo (com Sartre) inverte a lógica tradicional afirmando que a existência precede a essência. O homem é pura liberdade, condenado a fazer suas próprias escolhas e a construir o que é ao longo da vida. Outros pensadores destacam o lado prático (Homo faber), definindo o homem pelo trabalho, linguagem e capacidade técnica.

 

A essência do homem é a alma, cuidar de si mesmo significa cuidar da própria alma mais do que do corpo, e ensinar os homens a cuidarem da própria alma é a tarefa suprema do educador; assim diz Sócrates, a alma nos ordena conhecer aquele que nos adverte: conhece-te a ti mesmo.

 

Já Platão, tem uma concepção dualista do homem, além da participação da perspectiva metafísico-ontológica, a participação do elemento religioso derivado do orfismo.

 

Para Kant, o homem conhece, pela razão pura, o ideal de humanidade, a partir do qual ele se compara e lhe fornece o critério da apreciação de si mesmo. O campo moral recorre, assim, à antropologia para verificar os homens reais, e dessa forma não tornar o fim da razão algo sem referencial e utópico.

 

Para Platão o ser do homem é sua alma., uma vez que somente ela é uma realidade eidética. O corpo ou as demais formas anímicas não passam de exterioridade sem consistência.

 

"Enquanto possuímos o corpo e a alma, não temos como alcançar a verdade/liberdade]": Enquanto a consciência estiver apegada ou limitada às necessidades físicas e às paixões da alma (desejos, medos), ela não consegue atingir o estado de iluminação, sabedoria pura ou a libertação (a verdadeira realidade).

 

Santo Agostinho explica que o homem é um composto de corpo e alma e questiona sobre qual dos dois elementos constitui primordialmente o homem total. Afirma que é a alma que guia o corpo. Assim define a alma como substância racional feita para dirigir o corpo, mortal e terreno. 

 

O homem é essencialmente seu pensamento, seu espírito, sua palavra, consciência, livre de toda influência mecânica . E tem- como um bom ou mal amigo –seu corpo.”

Suponho que este corpo não é outra coisa que uma estátua ou máquina de terrar que Deus forma expressamente para fazê-la a mais semelhante de nós que é possível. .

 

Para Nietzsche, o homem não é um ser fixo ou concluído, mas uma ponte ou corda esticada sobre um abismo. Ele representa uma transição tensa entre o instinto animal e a superação de si mesmo, que culmina na figura ideal do Übermensch (além-do-homem ou super-homem).

 

A expressão "caniço pensante" (ou junco pensante) é uma metáfora famosa criada pelo filósofo e matemático francês Blaise Pascal em sua obra póstuma "Pensamentos".

 

Ela sintetiza a dupla natureza do ser humano:

A Fragilidade (o caniço): O caniço (ou junco) é uma planta frágil, vulnerável e facilmente dobrada ou quebrada pelo vento. Representa a insignificância física do homem perante a imensidão do universo. Bastam uma gota de água ou um vapor para destruí-lo.


A Dignidade (o pensante): Embora o universo possa esmagar o ser humano, o homem continua superior a ele, pois sabe que vai morrer e entende a sua própria condição. O universo é cego e não possui essa consciência.

 

Para a filosofia, o ser humano é um "projeto em aberto" e um ser de contradições. Não existe uma resposta única, mas sim diferentes visões ao longo da história: 


Animal Racional: Para Aristóteles, somos seres biológicos cuja principal característica e finalidade é o uso da razão e da linguagem.


Dualidade: Platão acreditava que o humano é a união temporária de dois mundos: um corpo material e corruptível, e uma alma imortal.


Ser Histórico e Construtor: Na filosofia contemporânea, a ideia de uma "essência" pronta cai por terra.

 

Como defendeu Jean-Paul Sartre, "a existência precede a essência": nós nascemos e, depois, construímos quem somos através de nossas escolhas. 

 


Na filosofia contemporânea, o conceito de homem rompe com visões essenciais e universais (alma/razão fixa), definindo-se pela existência, historicidade e liberdade.

O ser humano é visto como um "projeto" ou existência que precede a essência, moldado por ações, contexto social, tecnológico e histórico.

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/05/2026
Alterado em 28/05/2026
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