"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

Textos


A Cruzada de Abdul

O embaixador de Uganda era um homem culto, tinha duas graduações, um mestrado e um doutorado.

Falava diversos idiomas inclusive o português. Estava no Brasil, representando seu país. Casara tardiamente,

já tinha mais de meio século de idade e, seu único filho tinha apenas oito anos. Evidentemente, a criança fora

encaminhada para uma escola de alto padrão e elitista. Mas, um problema estarreceu a todos... O menino que se

chamava Abdul era o único negro na referida escola. Na maioria das vezes, os alunos eram loiros, de olhos claros, no máximo tinha um ruivo , agora, doravante Abdul, o único negro... A recepção da parte gestora da escola foi boa, porém, nem tanto por parte dos alunos... Não obstante o alto padrão econômico e cultural da criança. Os primeiros dias podem ser comparados com uma Cruzada... Abdul era um menino que não suportou todo o preconceito que sofria e, então pedira ao seu pai para procurar outra escola, ou então, optar por homscholling... O pai, ocupado com seus afazeres profissionais, pedira a esposa mãe, que se chamara Indira. Em homenagem a Indira Gandhi. A mãe do menino era uma mulata clara que até poderia passar por branca... Mas, ela não escondia sua origem nem a melanina... Indira procurou a coordenação e a direção da escola e, tentou entender o porquê o filho se sentia tão mal por lá... A coordenação e direção foram cordiais e solícitas, e alegaram que todos os alunos novos passam por um período de adaptação e, que variava entre um a dois anos... Indira achou exagerado...

Procurou um terapeuta infantil para Abdul, a fim de saber a razão de tamanho mal-estar....

O terapeuta endossou o pedido d Abdul... afinal, ser alvo constante zombarias e preconceitos era mesmo terrível... Indira,

então procurou uma professora para prover homescholling para Abdul... Agradeceu a escola por todo esforço, mas o peso do forte preconceito estrutural não era suportável. Indira não entendeu pois afinal o país sofreu mestiçagem intensa... porém, os preconceitos ainda dominam o cenário social. Caso insistisse com o filho, era capaz da criança se desinteressar pela escola e da aprendizagem. O curioso que no Brasil racismo é crime e, se cometido por menores de idade, há a prática de ato infracional análogo à crime... porém, só a legislação e punição não bastam...

 

 

Obs: :

O Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial é comemorado em 3 de julho. A data se refere à aprovação da primeira lei brasileira contra o preconceito. Em 3 de julho de 1951, o Congresso Nacional aprovou a primeira lei contra o racismo no Brasil, estabelecendo como contravenção penal qualquer prática de preconceito por cor ou raça. De lá pra cá, muitas outras propostas vieram para combater a desigualdade no país. A própria Constituição Federal vigente determinou que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Também houve a inclusão da injúria racial no Código Penal. E a criação das cotas para negros em universidade e em concursos públicos. Autor do Estatuto da Igualdade Racial,

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 24/05/2026
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