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![]() "Deus está morto" é uma famosa metáfora do filósofo Friedrich Nietzsche, não uma negação literal da existência divina, mas um diagnóstico da sociedade ocidental do século XIX. Significa que a fé e os valores cristãos perderam sua força centralizadora e autoridade na cultura, levando a um processo de secularização e ao niilismo. Por meio da contundente afirmação Nietzsche procurou condensar todo o espírito de sua época. Fez um diagnóstico da cultura de seu tempo e denunciou o niilismo em que a Europa estava mergulhada e se afogando. Enfim, Santa Igreja Católica, seus mitos, ritos e até ideais e ainda toda a moral residente na Teologia. Frise-se que o niilismo negativo mostra que a criação de um Deus só poderia ser sintoma de uma vontade doentia e triste. Com o cristianismo, o filósofo afirmou que o centro da gravidade é colocado para fora da vida. Nietzsche vai ao cerne do problema: Deus está morto como uma verdade eterna, como um ser que controla e conduz o mundo, como um pai bondoso que justifica os acontecimentos, como sentido último da existência, enfim, como uma ética, como um modo de vida, independente de sua existência ou não. A secularização da civilização prova isso cada vez mais, todo o resto é besteira! Deus está morto como um grande ditador divino que exige obediência de seus servos, que dita leis e é responsável pela verdade absoluta e unificadora. Assistimos à ruína dos valores cristãos! Eles são agora um empecilho à existência! Deus não é mais o centro das atenções, não é uma questão importante para se tratar, ele já não é uma pergunta para a qual procuramos respostas, ele não é mais capaz de sustentar valores, e por isso deve morrer. A morte dos ideais divinos, o início da morte desta doença chamada cristianismo é uma constatação nietzschiana. O sentido está perdido, a Verdade Eterna está acabada, de agora em diante precisamos encarar o caos do mundo à nossa frente, tudo é Vontade de Potência. Todo idealismo e platonismo estão se perdendo, por isso enfrentamos um grande perigo do niilismo: A morte de Deus deveria trazer uma liberdade nunca antes vista, mas estamos perdidos, não sabemos para onde ir nem o que fazer com isso. A morte de Deus, levada às últimas consequências, é difícil de aceitar e pode facilmente levar ao desespero. Não sabemos o que fazer, como proceder, não sabemos mais o que é certo e errado sem um padre ou um livro velho para nos guiar. A falta de referencial externo é desesperador para o homem, ele fica aterrorizado diante do mundo, procura novos deuses a quem obedecer. Vemos então como o homem passa a buscar qualquer coisa para se segurar: razão, humanismo, ciência, leis. Deus morreu, mas ainda velamos seu corpo em várias outras práticas que não encontram justificativa no próprio mundo, mas em outros lugares. Assim, continuamos louvando valores divinos, mas agora mascarados pela casca humana, demasiadamente humana. Matamos Deus, mas continuamos crentes! A fé virou razão, a dona da verdade é a Ciência, nossa nova religião é o progresso do homem, o bem comum. Deleuze chama este primeiro momento da morte de Deus de Niilismo Reativo, a falsa morte de Deus, quando nos dizemos ateus, mas inventamos novos ídolos para poder dobrar nossos joelhos tão acostumados a servirem. A única alternativa frente a esse niilismo passivo é tomarmos as rédeas da situação e fazer deste niilismo um novo modo de vida. Reiteramos: a questão não é se Deus existe ou não! Isso não traz realmente o problema para o campo da Ética… onde queremos chegar? A questão é: que modos de existência a crença em Deus implicava? E que modos de existência a não crença em Deus implica? Do solo cristão nada mais pode brotar… mas isso não significa que não podemos encontrar mais terra fértil. É necessário muita coragem para transpor o niilismo fraco, aquele que debilita, desespera. Precisamos levar o niilismo até sua última potência e transformar o ateísmo teórico em um ateísmo prático! Sendo assim, mesmo que Deus exista, é importante que nós o matemos, para andar com nossas próprias pernas! Ou como diria Bakunin, a única maneira de Deus servir à liberdade humana seria se ele simplesmente cessasse de existir. Pois bem, somos o filho que cresceu e quer agora libertar-se. Nem Deus, nem mestre! Não podemos mais nos esconder atrás da sombra divina e dizer “Deus quis assim” porque agora a responsabilidade é toda nossa! Tanto para desfazer as verdades antigas quanto para criarmos novas e melhores formas de dizer Sim à vida! Viva a morte de Deus! GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 17/04/2026
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