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![]() Junto ao tempo, algumas coisas evoluíram. Outras, nem tanto. As relações familiares fragilizaram-se. Os afetos pulverizaram-se. As relações humanas tornaram-se progressivamente mais difíceis e desafiadoras. Maria era casada com João, teve um filho autista. O menino se chamava Aurélio. João ficou terrivelmente decepcionado com o fato da criança não falar e, ainda, ter convulsões e surtos de vez em quando. Tais acontecimentos abalaram o casamento e, então, João pediu o divórcio. Tratou de afiançar todos os recursos financeiros necessários para o tratamento da criança mas, o TEA não tem cura. O que deixou João desesperadamente triste. Nunca mais casou. Virou um solitário amargurado. Acreditava que Deus lhe tinha virado as costas. Aurélio era uma criança difícil e havia dificuldades de lidar com o autismo, por vezes, a criança passava por longas internações hospitalares. Maria com a rejeição de João ao filho ficou tão magoada que acabou falecendo de um câncer no fígado, em dois anos sua vida se foi... Sobrou apenas João que tratou de manter a criança internada. E, quando se tornou adolescente procurou interná-lo numa escola especial devotada a cuidar de neurodivergentes. Não havia proximidade. Não havia nada. No fundo, João nem aguentava olhar para o Aurélio apesar de ver traços fisionômicos comuns. Quando Aurélio fez vinte e cinco anos, João sofreu um latrocínio e morreu com dois tiros praticamente na porta do colégio onde estava o filho. Durante longo silêncio e a ausência de Maria, a mãe devotada, João se tornara a única pessoa preocupada com o filho autista. Nem tempo conseguiu contornar a rejeição. Nem a religião. Nem os laços sanguíneos. A genética esculpiu toda a rejeição. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 15/04/2026
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