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![]() Carta aflitaCarta aflita
Essa é carta mais difícil que precisei escrever. Você é pai e não aceita, de modo algum, o filho que fora recentemente diagnosticado como autista. Em razão do diagnóstico, veja decidiu-se pelo divórcio. De fato, paga pensão para o filho e para ex-esposa. Juntou laudo médico que lhe diagnosticou com neurose, com CID-10 no grupo F40. Na audiência você chorou e afirmou que sofre muito por conta do transtorno do filho e, que arcará financeiramente com todos os custos e gastos, mas em razão de sua doença não consegue nem sequer visitar o filho. Esse seu abandono ao filho constitui abandono afetivo e moral e pode acarretar compensação por danos morais. A pobre criança nada entende, pergunta pelo pai, ela sente sua falta. Negou-se ter a guarda compartilhada de forma que guarda é unilateral do filho. E, já se explicou judicialmente a ausência de visitação por conta de sua neurose. É manifesta a vergonha que você tem da criança. Ele é um ser humano, tem direito à dignidade e ao convívio com o pai. E você, portanto, sua neurose não consegue entender isso. Sinceramente, senhor, deveria procurar terapia. Não existe apenas um autista no mundo. E, afora isso, há outros transtornos, doenças e deficiências e, devemos aprender a entender e respeitar essas pessoas. Pais de autistas têm direitos importantes garantidos por lei, incluindo acesso a tratamentos pelo SUS (fonoaudiologia, psicologia), BPC/LOAS (se a renda permitir), isenções fiscais (IPI, IPVA, IR), matrícula obrigatória em escolas regulares com acompanhante, jornada de trabalho reduzida (CLT/servidor público) e atendimento prioritário, visando a inclusão e o suporte para a família, sendo essencial buscar apoio jurídico para garantir esses benefícios. Até a lei acolhe e protege os autistas e seus pais. Gostaria de lhe pedir, humildemente, que procurasse terapia seja via psicanálise pois é uma abordagem profunda, desenvolvida por Freud, focada em investigar conteúdos do inconsciente, sonhos e traumas passados, utilizando a associação livre (fala livre de julgamentos) para promover autoconhecimento e mudanças estruturais. Por favor, compreenda que seu filho não escolheu deliberadamente ser autista, nem a mãe dele, nem ninguém. Não o culpe por conta do TEA, não o discrimine por isso também. Rogo que compreenda a essência humana da criança autista. E, ainda, rogo que tenha a humildade para fazer terapia e vencer, finalmente, a enorme muralha para você, para que possa ao menos, visitar seu filho. Coloco-me à sua disposição, no que eu puder lhe ajudar. Agradeço sua atenção, atenciosamente.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/04/2026
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