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![]() Você é o X-9?Você é o X-9?
A gíria "X-9", usada para descrever um informante, delator ou "dedo-duro", tem origem na década de 1940, derivada da história em quadrinhos americana Secret Agent X-9 (Agente Secreto X-9), criada por Dashiell Hammett e Alex Raymond, que retratava um agente infiltrado. A expressão consolidou-se no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, nos anos 60. As principais teorias sobre a origem refere-se a um personagem de HQ (Agente X-9): O detetive "X-9" era especialista em se infiltrar entre bandidos, o que popularizou o termo como sinônimo de alguém infiltrado para denunciar. Pavilhão do Carandiru: Outra vertente associa o termo ao antigo presídio do Carandiru, onde o "pavilhão X9" abrigaria informantes da polícia. Gíria Carioca/Ditadura: Relatos sugerem que, durante a ditadura militar nos anos 60/70, "X-9" era a codificação para fichar informantes da polícia no Rio de Janeiro. Uma curiosidade: O termo é famoso também no samba, com a X-9 Paulistana e a X-9 de Santos, escolas de samba cujo nome foi inspirado no mesmo personagem de histórias em quadrinhos.
“X-9” remonta ao codinome do protagonista da HQ Secret Agent X-9, dos americanos Dashiell Hammett e Alex Raymond, publicada no Evening Journal de 22 de janeiro de 1934. No princípio sem nome informado, o personagem passa a chamar-se Phil Corrigan a partir dos anos 40. No Brasil, as tiras foram editadas, já em 1934, na revista Suplemento Infantil, da editora Grandes Consórcios de Suplementos Nacionais de Adolfo Aizen, precursora da Editora Brasil-América (Ebal) de 1945. Passaram a ser editados por O Globo em 1941, e pela Rio Gráfica Editora (RGE) de 1952. O termo, portanto, era originalmente um neologismo por empréstimo linguístico do inglês.
Já “Araponga” deriva, segundo o Houaiss, do tupi gwïra’ponga (ave sonante), forma atestada desde o século 16 para uma espécie de pássaro (Procnias nudicollis). O sentido de “agente secreto” remonta ao protagonista da novela Araponga, de Dias Gomes, Lauro César Muniz e Ferreira Gullar (Rede Globo, de 15/10/90 a 29/3/91). O protagonista era o detetive atrapalhado Aristênio Catanduva (Tarcísio Meira). A escolha do codinome foi motivada pelo fato de agentes de informação do SNI terem o hábito de adotar codinomes inspirados em animais e insetos: “Parecia-nos realmente gaiato um agente secreto adotar o nome de um pássaro cujo berro metálico ecoa por quilômetros de mata. Quem viu a novela deve lembrar que o personagem, uma vez finda a ditadura, não tinha mais a quem alcaguetar nem torturar (isso de torturar era uma licença poética, que fundia o SNI com o DOI-Codi) e, por essa razão, trancado em seu quarto, torturava-se a si mesmo e depois sorvia leite de uma mamadeira.” (Ferreira Gullar, “Arapongas”, Folha de S. Paulo, 29/1/2006). O termo, portanto, é um neologismo por mudança semântica (metafórica). Paralelo A comparação entre a história dos dois termos parece reiterar a ideia de que cada palavra tem história própria, mas isso não significa que haja nenhuma semelhança entre os caminhos percorridos. 1) Ambos têm hoje carga semântica negativa. Com “X-9” houve processo de pejoração, pois a forma carregava carga positiva quando associada a “agente secreto” e hoje significa “informante”. “Araponga” foi intencionalmente criado para representar, de forma cômica e negativa, agentes secretos. 2) Nos dois casos, o neologismo deu um passo semântico na direção de um processo de conversão de nome próprio (os codinomes) em comum: passou-se de (codi-)nome específico de personagem de ficção para nome de uma classe de pessoas. É interessante averiguar quanto tempo cada um levou para passar de nome próprio a comum: haverá diferença ou semelhança nesse aspecto? A resposta pode ser obtida por um passeio pelos acervos digitalizados, como os de O Globo e O Estado de S. Paulo. A comparação permite incluir a questão geográfica: onde terão começado as inovações? No caso de “X-9”, a história é bem complexa. Os quadrinhos do Agente Secreto X-9 inspiraram, por exemplo, o nome da Escola de Samba X-9 (fundada em 1º/5/44), de Santos, que deu origem ao da Escola de Samba Filhotes da X-9 (de 12/2/75), de São Paulo, renomeada como X-9 a partir de 1986. Vinculada ao sentido original de “agente secreto”, a forma foi usada em meados da década de 80 em O Globo (22/11/85), como codinome de policial acusado da morte do padre Henrique Pereira, na Recife de 1969 (o assassinato seria uma forma de os agentes do Dops intimidarem D. Helder Câmara em suas ações contra a violência do regime: Henrique era assessor de Câmara). Aparentemente, o termo só passou a significar “informante” um pouco depois: em O Globo de 12/8/87, lê-se o título “Policiais agridem jornalistas para proteger ‘X-9’ que atacou mendigo”. Em O Estado de S. Paulo, um artigo começa com “Um X-9 ligado ao tráfico de entorpecentes e alguns amigos mataram ontem de madrugada seis pessoas de uma mesma família.” Afinal, vocé é X-9 ou um araponga?
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 18/03/2026
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