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![]() Contemporâneo (hodiernus)
Infelizmente, o papel histórico do homem na sociedade é desigual em relação à mulher há muito tempo. O masculino permanece por muito temo em lugar de destaque em relação ao feminino e, o funcionamento do patriarcalismo sempre evidenciou o homem, como guia, viga-mestra, provedor, capitão da nau e, etc. Enquanto os homens se vinculavam ao espaço público, a mulher mantinha-se em espaço privado com suas funções delimitadas e bem limitadas. As reivindicações por igualdade de papéis se estabeleceram, através de movimentos feministas e, pelo reconhecimento da capacidade intelectual, moral e cultural da mulher. Alguns afirmam que os homens estão vivenciando uma transitoriedade em sua identidade, e de certa forma, sentem-se até inferiorizado, e tal desestabilidade acarretou um grave crise. Nolasco (1993), no entanto, se contrapõe à ideia de um homem fragilizado e em crise, por entender que os homens vivenciam um período de busca individual pela integração do que pensam com o que sentem e o que fazem, possibilitando, assim, a partir de suas vivência reverem a identidade que não mais os satisfazem. Ao encarar o masculino em mutação diante da sociedade patriarcal pode-se entender o porquê da instabilidade masculina. Para Simone de Beauvoir, a mulher é a alteridade, o paradoxo entre a projeção do que o homem deseja e o que não consegue atingir. Numa sociedade voltada para a afirmação do masculina, a mulher não é encarada como um ser autônomo. Lembremos que a constituição social do homem e da mulher é mediada pela cultura que regula as práticas comportamentais que afirmam as relações de desigualdade entre homens e mulheres, impondo papéis que devem ser cumpridos, e inibindo qualquer outra forma de existir, excluindo, assim, qualquer possibilidade de escolha. A história e a cultura estão totalmente aliadas e interligadas na formação da realidade social quando vem a delimitar as relações humanas. Embora que atualmente existam novas alternativas de constituição do sujeito sendo delineadas, que levam em pauta o fato de que nem sempre ser homem ou ser mulher requer atributos constantes. A medida que se ampliam as exigências de liberdade e de igualdade entre os gêneros, masculino e feminino, a divisão social dos sexos se enxerga recomposta, reatualizada sob novos traços e essências. O homem contemporâneo surgiu diante das novas possibilidades de ser humano, de lidar com emoções, com suas fragilidades e, não apenas com o sexo, trabalho e política. A transição da mulher para o mundo público possibilita ao homem transitar mais efetivamente pelo mundo privado. Desta forma, tanto homens como mulheres assumem papéis mais igualitários dentro das relações sociais e afetivas. Afirmou Jean-Paul Sartre que "os homens têm hoje diante de si a possibilidade de construir um projeto para suas identidades que transcendam as fronteiras do exílio a que foram remetidos por seus próprios narcisismos". A indústria cultural é resultante da sociedade industrializada. E, mais especificamente, porém, a indústria cultural se concretiza apenas numa segunda fase dessa sociedade, a que pode ser descrita como a do capitalismo ou, ainda, como sendo a sociedade de consumo. As civilizações de todos os tempos tiveram suas formas de expressão cultural. Hoje, contudo, cogita-se em produção de cultura, o que pressupõe, a existência de uma indústria cultural. A cultura é tida como um instrumento de crítica, expressão, identidade ou conhecimento, mas também como um produto a ser consumido. E, um questionamento ético surge quando se pergunta se seus produtos são bons ou maus para desenvolvimento humano. Se são adequados ou não para o bom desenvolvimento de potencialidades e projetos humanos? A indústria cultural sobrevive através da lei da oferta e da procura e, a televisão sempre esteve atenta aos seus índices de receptividade, procurando atender as tais exigências. A indústria cultural por meio da diversão mascara realidades intoleráveis e ainda fornece ocasiões de fuga da realidade. O divertimento então passava a ser o inimigo mortal do pensamento crítico, levando a sociedade ao um conformismo histriônico. Nem sempre há o fator de alienação pois, no fundo, as produções cultuais visam beneficiar o desenvolvimento do homem e da sociedade. Durkheim foi o primeiro pensador a identificar os objetos informativos, cognitivos, ideológicos, normativos, crenças, valores, atitudes opiniões e, imagens... como sendo produções mentais sociais, extraídas de um estudo sobre a formação das ideias coletivas. Porém, foi Serge Moscovici que renovou a análise, insistindo sobre a especificidade dos fenômenos representativos nas sociedades contemporâneas, peculiarizadas por intensa fluidez das trocas e comunicações. Aliás, Bauman realizou um estudo mais atualizado sobre as representações sociais, dando continuidade ao estudos feitos por Durkheim. Os processos que engendram representações sociais estão embebidos na comunicação e nas práticas sociais. Os sujeitos sociais ancoram o desconhecido numa realidade conhecida e institucionalizada e, paradoxalmente, deslocam aquela geografia de significados, já estabelecidos que as sociedades, na maior parte das vezes, lutam para manter. As representações sociais emergem assim como processo que ao mesmo tempo desafia e reproduz, repete e supera, sendo formado, mas também forma a vida social de uma comunidade. Enfim, o homem contemporâneo, cada dia mais, vem se desvinculando de atitudes e padrões estereotipados e assume novas formas e possibilidades. A sociedade, então, se modifica para receber esse novo homem, na medida em que este se reconstrói, onde todas as possibilidade de liberdade e igualdade humana podem ser concretamente estabelecidas.
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GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/02/2026
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