"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

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Indo para o inferno dentro do discurso de Trump

Na visão de Trump.... in litteris: "Seus países estão indo para o inferno." depois de quase uma hora de um discurso na ONU. Sua ótica sobre o mundo, pelas lentes de sua ideologia ofereceu brutalidade e falta

de controle. Sua fala mirou seus oponentes e, em suas ideias, atacando um por um, fazendo um tour deturpado pelo mundo. Afirmou que vivencia uma era de ouro e, repetiu sua alegação de que teria pessoalmente encerrado sete guerras, sendo até o merecedor de Prêmio Nobel da Paz.

Vão criar um Prêmio Nobel da Idiota de extrema-direita... aguardem...

Disse que a ONU não havia ajudado em seus esforços de pacificação. Questionou o propósito da organização, dizendo que ela tem um potencial imenso, mas não estava à altura dele.

Alegou que tudo que ela fazia era escrever cartas com palavras fortes às quais não dava seguimento. Palavras vazias, segundo Trump, não acabam com guerras.

Ele também atacou a ONU por ajudar solicitantes de asilo que querem entrar nos EUA. "A ONU deveria impedir invasões, não criá-las ou financiá-las." O presidente criticou a organização até mesmo por uma escada rolante quebrada e um teleprompter com defeito que atrapalharam sua visita e seu discurso.

Muitos analistas questionam a efetividade da ONU na resolução de conflitos hoje em dia, apontando especialmente para o impasse do Conselho de Segurança e a burocracia engessada da entidade.

Mas, por outro lado, Trump pode ser visto como a causa e o sintoma da falta de eficácia da ONU.

Isso porque, ele acredita que crises globais devem ser resolvidas por homem poderosos como ele, reunidos para fazer acordos diretos — e não por meio de mecanismos multilaterais como a ONU, voltados à construção de soluções coletivas.

Sob o governo Trump, os Estados Unidos retiraram grande parte de seu financiamento à ONU, o que obrigou a organização a cortar parte de seu trabalho humanitário ao redor do mundo.

"A Europa está em sérios apuros. Foi invadida por uma onda de imigrantes ilegais como nunca se viu antes...tanto as ideias sobre imigração quanto as ideias suicidas sobre energia serão a morte da Europa Ocidental", disse.

Sobre as mudanças climáticas, ele afirmou que se tratava de "a maior farsa já imposta ao mundo" e que isso estava impondo aos países europeus custos elevados de energia em comparação aos combustíveis fósseis.

Ele criticou especialmente o governo do Reino Unido por instituir novos impostos sobre o petróleo do Mar do Norte.

"Se vocês não se afastarem dessa farsa de energia verde, seu país vai fracassar", declarou.

"Eu amo a Europa. Eu amo as pessoas da Europa. E eu odeio vê-la sendo devastada pela energia e imigração. Esse monstro de duas cabeças destrói tudo por onde passa... vocês querem ser politicamente corretos e estão destruindo seu próprio patrimônio."

Note esse último ponto de Trump.

Ele ecoa o que já havia dito durante sua visita ao Reino Unido na semana passada, quando falou da importância de defender os valores do que ele chamou de "o mundo da língua inglesa".

Há um viés cultural nas críticas de Trump à Europa, uma sensação de que ele acredita que a imigração descontrolada está ameaçando o que ele vê como uma herança judaico-cristã da Europa.

Não é à toa que Trump é o líder de uma administração que ostenta sua religião com firmeza.

"Vamos proteger a liberdade religiosa", ele disse na ONU, "inclusive para a religião mais perseguida do planeta atualmente, o cristianismo."

Interessando professar em favor da liberdade religiosa quando até desrespeita a soberania de outros países...

Em termos de políticas, o alerta mais substancial feito por Trump foi sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Ele disse que a recusa do presidente Vladimir Putin em encerrar o conflito "não está fazendo a Rússia parecer bem".

Também afirmou que os EUA estavam preparados para "impor uma nova rodada de tarifas muito fortes" com o objetivo de pôr fim ao derramamento de sangue.

Mas criticou os países europeus por continuarem comprando energia da Rússia — alegando que só descobriu que alguns ainda estavam fazendo isso há duas semanas.

Na prática, a Hungria e a Eslováquia são os únicos compradores europeus relevantes de petróleo russo.

Diplomatas afirmam que Trump está se escondendo atrás desse fato para não ter que impor sanções secundárias à Índia e à China, que estão comprando quantidades enormes de energia russa barata.

Talvez, mais importante do que seu discurso na ONU seja uma publicação feita em sua rede social logo depois, na qual ele afirmou, pela primeira vez, que a Ucrânia poderia está em uma posição favorável para recuperar todo o seu território. Sua desqualificação da Rússia como "um tigre de papel" e não como uma "verdadeira potência militar" vai afetar Putin, que é sensível a qualquer sugestão de que seu país não seja um ator global.

Diplomatas disseram que esse foi o exemplo mais recente da jornada de Trump rumo a uma posição mais crítica em relação à Rússia.

Mas é preciso sempre tratar as palavras de Trump com cautela. Seu otimismo apareceu logo após se encontrar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky na ONU. E ele disse que a Ucrânia poderia reconquistar territórios com apoio da União Europeia e da OTAN; não houve menção ao envolvimento dos Estados Unidos

Portanto, este foi Trump, puro e sem filtros: uma defesa dos EUA e do Estado-nação, um ataque ao multilateralismo e ao globalismo, um fluxo de consciência com afirmações questionáveis.

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 01/10/2025
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