Minha poesia
Minha poesia é doente.
Tem febre, tosse e dor nas costas.
Minha poesia é azul claro...
as vezes brinca com as nuvens
e as vezes foge dos raios
e emite trovões para apavorar
os desleixados...
Abandonei minha alma no corpo,
no alpendre, na linha do horizonte.
Minha consciência é vaga...
Oscila conforme os ventos.
Floresce sem ser na primavera
No outono, as folhas cadentes
oferecem rimas, trocadilhos e
sibilam feito cobras...
Minha poesia é doente.
É patética.
Ri de si mesma.
Chora sem ter lágrimas
E, faz lamúrias sem ser diante do muro...
Peço perdão.
Redenção e, por fim,
entrego-me plena nas reticências da tarde.
Na ampulheta da sala.
Ou pior, no piso frio de mármore.
Minha poesia é melodramática.
Grita sem produzir ruídos.
Chora sem ter lágrimas
Pensa sem ter lógica...
O que ela faz?
Apenas divaga...
Apenas apaga qualquer resquício
de humanidade.