Não tenho condições de lhe julgar.
Não calcei seus sapatos.
Não trilhei os seus passos.
Não sei exatamente pelo que passou.
Não conheci as suas dores e agonias.
Não posso julgar.
Não há balança no mundo capaz
de sopesar tudo.
O que é justo?
O que é injusto?
Justiça pode ser uma convenção conveniente.
Pode ser um ficção escabrosa.
Não posso lhe julgar.
Não posso condenar nem absolver.
Não posso tecer adjetivos
pois não conheço seus substantivos.
A dor pode traduzir um torpor.
Onde tudo em volta se transtorna.
Peço perdão pelas decepções que lhe dei.
Peço perdão por tudo...
E, mais, por não fazer mais do que
deveria fazer...
Espero ser perdoada.
Mesmo que tenha perdoado.
Ainda me sinto devedora por tudo.
Mas, saiba, não vou lhe julgar.