Gradação
Primeiro, a poesia se achega lentamente...
Rastejando-se pelos cantos, arestas e paradoxos.
Depois, vem o lirismo... Um exagerado romântico
a sofrer despudoradamente...
Geme, grita e desfalece...
Expõe publicamente todos os sentimentos do mundo...
Mais tarde, a prosa enviesada... de reticências certeiras,
de metáforas exatas e, pior, de tragédia ínsita...
Descreve metodicamente a realidade...
ou uma parte dela.
Somos tudo isso. Nossa fala, nossa escrita, nosso silêncio
que perdura sobre as pirâmides da alma,
sobre os monumentos do espírito
E, tudo isso nós faz humanos, sobejamente humanos.
Exageradamente humanos.
Ser humano dói... Ser humano lateja...
Ser humano que sangra e morre.
Deixamos de ser plenos e, por sermos apenas finitos
registramos desde das paredes das cavernas a nossa narrativa.
Com a poesia nos libertamos.
Com o lirismo nos amamos...
E, com a prosa com uma elegância duvidosa
narramos parte da história...
porque ela toda só está dormitando em nossa consciência
Ou no inconsciente.