Ditados & Provérbios
A expressão “o diabo mora nos detalhes” é um ditado antigo que alerta que os detalhes são importantes e que podem levar ao sucesso ou ao fracasso. A expressão significa que é nos detalhes que se pode falhar, mesmo em situações que parecem simples. Os detalhes podem ser cruciais, pois podem levar ao sucesso ou ao fracasso de algo. Por exemplo, fechar uma porta corretamente pode parecer um pequeno detalhe, mas já houve casos de aviões que caíram por causa de uma porta mal fechada. Trata-se de um provérbio alemão.
Na verdade: “Deus está nos detalhes”. Não está claro quem cunhou a frase “Deus está nos detalhes”. O provérbio é atribuído a muitas figuras influentes, incluindo Michelangelo. O mais comum é se atribuir a expressão ao arquiteto de origem alemã Ludwig Mies van der Rohe. Embora seja mais provável que a frase não tenha se originado com ele, ela está em seu obituário de 1969 no jornal New York Times. A frase também foi utilizada pelo historiador da arte Aby Warbug, embora seu biógrafo tenha sido hesitante em dizer que o termo foi inventado por ele. Uma versão ainda mais antiga do provérbio, “O bom Deus está nos detalhes”, é geralmente atribuída ao influente escritor francês Gustave Flaubert.
O ditado hoje alerta para erros que podem ser cometidos nos pequenos detalhes de um projeto. No entanto, uma versão mais antiga do provérbio significava, na verdade, que a atenção para as pequenas coisas da vida trazia recompensas significativas
A curiosidade matou o gato. Em verdade, o provérbio cogita em: Cuidado matou o gato. Serve como um aviso para aqueles são muito curiosos para seu próprio bem. Porém, o provérbio hoje conhecido se originou a partir de cuidado matou o gato, com significado de preocupação ou tristeza. Há o registro pela primeira vez na peça teatral de autoria de Bem Johnson, intitulada Every Man in His Humour em 1598. Comenta-se que a peça fora encenada pela trupe de atores que incluía William Shakespeare e, mais tarde, sem o menor escrúpulo, o Bardo utilizou a frase em sua peça intitulada "Muito Barulho por Nada".
Em 1898, a expressão original “cuidado matou o gato” ainda estava em uso quando foi definida no “Brewer’s Dictionary of Phrase and Fable”. No entanto, nesse mesmo ano, a frase foi impressa como: “Diz-se que a curiosidade matou um gato” no jornal The Galveston Daily News. No momento em que apareceu na peça “Diff’rent” de Eugene O’Neill, em 1922, o provérbio já tinha se transformado na expressão que utilizamos até hoje.
O sangue é mais grosso do que a água. Na verdade: “O sangue da aliança é mais grosso do que a água do útero”.
O ditado “o sangue é mais grosso do que a água” é muitas vezes usado para implicar que os laços familiares são mais importantes do qualquer outra coisa, por exemplo, do que relações temporárias com os amigos. Isso não tem nada a ver com o que a frase significava originalmente.
A versão original – “o sangue da aliança é mais grosso do que a água do útero” – significava que o vínculo entre companheiros soldados era mais forte do que a sua lealdade familiar. A palavra sangue estava se referindo ao sangue derramado no campo de batalha.
O ditado também foi usado em referência a “pactos de sangue” que as pessoas faziam compartilhando o sangue de um animal ou até mesmo cortando uns aos outros e misturando seu próprio sangue. O pacto ligava as pessoas e significava que elas estavam comprometidas umas com as outras mais do que estavam comprometidas com seus próprios irmãos, por exemplo.
Pau para toda obra, mestre de ninguém é expressão muito comum no Brasil, mas nos EUA, possui um acréscimo (Jack of all trades, master of none) usada de forma depreciativa. Inicialmente, a frase não continha a conotação negativa. A maior curiosidade é que o nome que aparece na expressão inglesa – “Jack” – não se refere a qualquer pessoa específica e é um termo genérico usado para descrever um homem comum da Idade Média. Os “Jacks” medievais eram homens de pouco status social que ganhavam a vida através de profissões recheadas de “Jacks”, como lumberjacks (lenhadores) e steeplejacks (limpadores de chaminés).
Na Idade Média, provavelmente não havia um único comércio que não usava um Jack de algum tipo (nome também comum para objetos usados em coisas como carpintaria e outras). Foi em 1612 que a frase “Jack of All Trades” entrou oficialmente para a língua inglesa, quando Geffray Minshull escreveu sobre sua experiência em uma prisão no livro “Essays And Characters of a Prison and Prisoner”. A parte da frase que diz “mestre de ninguém” só foi adicionada no final do século XVIII.
Carpe diem ou Aproveite o diaNa verdade: “Carpe diem, quam minimum credula postero”. Essa expressão em latim é muitas vezes traduzida como “aproveite o dia” e é usada para justificar o comportamento espontâneo, a fim de aproveitar ao máximo a vida. A frase original, no entanto, é mais longa e significa na verdade algo como “extraia o máximo do dia, confiando o menos possível no futuro”. Ou seja, não é para aproveitar como se não houvesse amanhã, mas sim para fazer o máximo que podemos agora para colhermos os resultados no futuro. A frase apareceu pela primeira vez no livro do poeta romano Horácio, “Odes Livro I”, que usou metáforas agrícolas para exortar as pessoas a aproveitar o dia. Horácio era um seguidor do epicurismo, uma filosofia ensinada por Epicuro, com base na ideia de que o prazer é a coisa mais importante e é alcançado através de uma vida simples.
A expressão “Carpe diem” foi usada por Lord Byron em 1817, e mais tarde popularizada pelo filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”. Hoje, seu significado original é muito esquecido e ela na verdade encoraja as pessoas a agarrar as oportunidades sem levar em conta o futuro.