Fui uma criança curiosa e arisca. A primeira excursão da escola, era a um parque nas montanhas ao sul do RJ. Um lugar era muito verde, cachoeiras, riachos e cobras... Nossos professores não cansavam de dar instruções, e eu anotava tudo num caderninho vermelho cheio de fitas. Acha aquilo tudo muito desconfortável e sujo... Fiquei preocupada em saber como tomar banho e comer... ficava com medo de comer qualquer coisa, exceto cream cracker...Não gostava do passeio... os coleguinhas estavam eufóricos e, eu temerosa com tudo... e avistei uma cobra linda preta com rajadas abóboras... era uma cobra coral, altamente venenosa, apesar de não ser grandiosa. Fiquei paralisada de medo... e, meu professor Nataniel conseguiu capturar a cobra... e, disse que levaria para o Instituto para colher seu veneno para fazer o soro antiofídico... Eu chorava baixinho e não consegui dormir no acampamento... Achei tudo aquilo bizarro e desconfortável. Era (e ainda sou) uma urbanoide irrecuperável... E, o máximo do campo que apreciava eram as fotografias... A vida do campo era uma fotografia incrível mas, uma realidade desafiadora. Outra coisa, achar lindo aquele olhar retilíneo e infinitesimal da vaca era curiosamente engraçado... Nunca mais aceitei participar dos passeios da escola. Somente quando envelheci percebi, finalmente, o quão fui uma criança diferente. Minha mãe e avó riam das minhas reclamações... Hoje quem ri, sou eu...