Carnaval virtual
Não desfaço de nenhuma manifestação cultural. Ainda questiono-me: - o que seria do povo sem o carnaval? Trata-se de uma poderosa catarse sem a qual provavelmente os índices de violência ainda seriam maiores e mais dramáticos. O samba, o desfile, a fantasia e quatro dias de imersão na folia são anestésicos indispensáveis.
Não podemos abolir tudo isso em prol de uma seriedade pretendida ou pretensa e não herdada de nossos colonizadores. Ademais, no Velho Continente há uma espécie de carnaval travestido de baile de máscaras e fantasias.
Eu proponho a criação do revolucionário carnaval virtual. Sem rua, sem presença, apenas os requintes da alta tecnologia com imagem, som e muita criatividade.
Seria mais seguro. Sujaria menos as ruas. Pouparia esforços e aborrecimentos. O carnaval virtual é uma grandiosa ideia. Haveria Escolas de Samba Virtuais. Desfile virtual com votação por jurados virtuais e também por estudiosos do tema.
Poderia dar o Zoom, close e ainda verificar os mínimos detalhes. As pessoas da Escola de Samba, tais como passistas, mestre-sala, porta-bandeira, os membros da bateria tudo seria absolutamente virtual.
Inclusive a interação. Seria tudo mágico. Os programadores poderia inserir propagandas e produtos auspiciosos.
Reparem, não haveria crime. Zero criminalidade. Ao final, haveria um documentário colacionando os melhores momentos. É claro que existiriam os saudosistas, os nostálgicos de plantão. Porém, com o tempo, todo mundo iria se acostumar e ser feliz virtualmente.