Era um amor crucificado. Cheio de sacrifícios. Silêncios que cortavam o vento. Palavras que limavam o pensamento. Amar você era um ritual bárbaro. Seco, direto e contundente. Por vezes, sentia que amar você era abdicar-se, de mim, dos outros e de tudo. E, no claustro do amor, a paixão pulsava doente. E, um dia, subitamente ela deu seu último suspiro. Não se despediu. Não escreveu uma carta. Não traçou um plano. Nem arrumou a mala. Simplesmente partiu, andando sobre as reticências bêbadas da tarde. Veio a noite e com o breu das estrelas, lembrei desse amor.
Intenso, trágico e submisso. A alma de que ama aprende. A alma que desama amadurece.