"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

Textos


Missão militar e sustentabilidade.

 

Refletir é necessário... se expressar, nem sempre.  O Após a superação da tentativa estúpida de golpe de Estado em 8 de janeiro do corrente ano, resta um relevante questionamento: Qual é a importância dos militares para nosso pobre país? 

 

Em verdade, nosso país desde 1985 começamos a fortalecer a democracia, mas, sobretudo formar e fortalecer paulatinamente o Estado Democrático de Direito. Erguemos as bases políticas, sociais e culturais da formação e atuação dos militares, mas essa autonomia é complexa é como a espada de Dâmocles. Narra a lenda grega que Dâmocles era um conselheiro que tanto cobiçava o lugar do rei, mas que um dia o cedeu. Dâmocles observou então que sobre o assento real pairava oscilante, permanentemente, uma espada. Um erro, uma hesitação e se poderia perder a cabeça, bem mais até que somente o reino.

 

Interessante foi um conjunto de trabalhos de autoria do General Golbery do Couto e Silva, publicados ainda nos idos dos 1950, cuja ideia básica é que, no mundo posterior à Segunda Guerra Mundial, quando as fronteiras físicas foram substituídas por fronteiras ideológicas.  Essas perigosas fronteiras vigentes entre a direita e a esquerda.

 

Portanto, a missão da burocracia armada não é propriamente proteger o país de invasões externas, mas sim, de guardá-lo contra inimiga interno que acabou se materializando, após o Golpe de 1964, nas organizações de resistência à ditadura.

 

Ao longo da narrativa, havia tortura, assassinatos, sequestros e demais formas de violência amplamente documentada justificaram-se pela missão cívica de impedir a vitória do comunismo, o grande vilão da História. E, a contribuição preciosa das hermenêuticas criminosas.

A elite armada atuou com a queda do Muro de Berlim nada significasse em sua estratégia a proteção dos valores básicos que a orientaram contra o nazismo e o fascismo.

 

No fundo, o inimigo continua sendo interno. O delírio de que paira sobre o país uma ameaça comunista  não é mero produto das redes sociais. Quando há um inimigo externo fica mais visível a necessidade e a finalidade de atuação dos militares. Porém, quando o inimigo é interno, há certo impasse. Pois o dever de proteção da segurança nacional choca-se com os direitos da cidadania e, com a delimitação do Estado Democrático de Direito.

 

Atualmente, o maior inimigo interno no país, além do vetusto fantasma comunista, há a sustentabilidade. Chegam a vociferar que no século XXI, uma das principais questões que tanto ameaçam a soberania nacional é a sustentabilidade. E, no desenvolvimento e proteção da Amazônia, os inimigos internos somam-se os ativistas, cientistas, ambientalistas, empreendedores que defendam a floresta e os povos que nesta vivem.

 

Tais desvarios são premissas que regem o comando militar brasileiro e, sob nossa responsabilidade paira uma enorme carga que é o de proteger a maior floresta tropical do mundo. Em 08 de janeiro último ainda não passou completamente, principalmente, enquanto não discutirmos de forma franca e ampla os valores éticos-normativos que regem as instituições militares. Precisamos apartar a função militar da função política.

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 09/02/2025
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