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![]() Atravessei o deserto. Areia, silêncio e o calor. O sol parecia enorme e seus raios eram chicotes a queimar olhos e o dorso. O vento quente soprava a saudade dos fonemas humanos. Palavras ditas e não sentidas. Ou palavras sentidas e não ditas. Em cada omissão, há um tratado inteiro de dor, leniência e culpa. Atravessei o deserto. As reticências no bolso faziam procurar mais narrativas. Mas, o silêncio respondia a tudo. Seus olhos marejados roubaram o orvalho da manhã. Quando o sol ainda menino parecia manso e infantil. Depois, a tarde, vinha hostil cobrando sobre a areia, alguma resistência. Saí do deserto. Abortei o silêncio. E, entre as palavras inscrevi a poesia inevitável dos dias. Marquei com um X, a opção inverossímil. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 06/06/2024
Alterado em 18/07/2024 Copyright © 2024. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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