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![]() A imensa contemporaneidade do anjo pornográfico. Nelson Rodrigues portador de tantas frases e assertivas contundentes que revelava o mais íntimo da natureza humana. Foi um dos mais relevantes dramaturgo do século XX, tanto que apontou para o lado mais sombrio e renegado do ser humano. Nelson Rodrigues transpôs com sabedoria toda a fase da história do país, como revelação sobre a sociedade brasileira e contando sobre a cultura brasileira e as relações sociais tão comuns e incompreendidas. Foi dele a expressão redentora quando ocorrer a vitória da Seleção Brasileira na Copa de Mundo de 1958 ao afirma que o pais estava abandonando o seu "complexo de vira-latas". Nesses tempos de pandemia, de negacionismos e terrasplanistas, quando estamos às voltas com tantas questões incômodas e complexas, a vida continua a exigir do sujeito consciência e menor ignorância. A primorosa biografia do jornalista Ruy Castro sobre Nelson Rodrigues intitulada "O anjo pornográfico. A vida de Nelson Rodrigues" é uma obra que retratou fielmente a vida e a produção literária de um grande cronista, dramturgo, ensaísta e pensador brasileiro. Apesar de ter sido politicamente conservador, fora extremamente revolucionário. Foi o criador de inúmeros apelidos que ficaram para a posteridade, como o rei Pelé, Garrincha o anjo das pernas tortas, Didi o príncipe etíope, Amarildo o possesso, Zagalo o formiguinha de ouro, Leônidas o diamante negro, entre outros. E, por fim, a assertiva que é tão atual: "Os idiotas vão tomar conta do mundo não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos." No próximo dia 21 de dezembro, fará quarenta e três anos de morto. A peça "A Serpente", de Nelson Rodrigues, fez curta temporada no Rio. A última peça escrita pelo dramaturgo, em 1978, conta a história de uma mulher que se apaixona pelo cunhado depois de passar uma noite com ele, com o consentimento da irmã. E, aí as duas mulheres começaram a disputar o mesmo homem. Nelson jamais teve problemas em escrever sobre a morte que sempre esteve presente, jamais se esquivou de encará-la fosse em crônicas, contas, peças teatrais ou entrevista. Afinal, a morte é um lento suave, maravilhoso processo. Todo sujeito começou a morrer, apenas não sabe ou percebe. Houve uma crônica foi publicada em 2 de dezembro e, dezoito dias depois, Nelson morreria: “A maior dignidade da morte é física. Nunca o homem é tão belo como quando está morto”, escreveu Nelson: “Porque tem então assegurada a eternidade, é na morte que o homem tem o seu rosto verdadeiro. Na vida, usamos máscaras sucessivas e contraditórias. Só a morte revela a nossa verdadeira face”.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 17/12/2023
Alterado em 17/12/2023 Copyright © 2023. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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