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exercício
amar o deserto,
suas areias escaldantes, seu sol inclemente e solitário. amar a clausura seu silêncio sagrado, cheio de sons e palavras mudas. amar o torto, aleijado, o feio e o roto. amar por simplesmente amar. amar por obrigação, amar por vocação, amar por história e, contingência. amar o olhar oblíquo, a lágrima reta, a emoção torturante de não- amar, de desamar. amar desanda feito massa mal-batida, feito pão sem fermento. É ázimo. É crédulo na fé intensa de se saber sozinho em meio ao deserto de mil criaturas. amar a criação e o criador. amar o abismo e o tangível. amar o que parece impossível mas é palpável. amar a miragem dotada de brisa e sombra. amar é o paradoxo doce e cruel mas é infalível para se sentir vivo.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/12/2007
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