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sarau
uma harpa no salão
as notas agudas gemendo por dentro olhos em silêncio rezando poesias e, milhões encontros e desencontros de almas a luminescência discreta da vela, a dar um ar lúgubre e medieval o eterno quixote de vígilia dos sonhos, sonhos infinitos, sonhos inacabados, sonhos grotescos de seres transgressíveis a patela das pernas os pés, o grego junto ao som da harpa arquitetaram um olimpo de semideuses e semideusas a procura de eros amor e deseperança, o labirinto dos sentimentos, o turbilhão de pensamentos na dinâmica universal, no metabolismo híbrido e contemporâneo infelicidades expostas agonias presumidas, esquartejadas pelos cantos. olhos que não olham, apenas choram pelo poeta triste. silêncio, poesia, um copo gelado na mão e, um coração latente que antes de julgar acreditava na universalidade de ser digno. dignidade de gueto dignidade sub-reptícia encoberta, oculta por pretensa masculidade estética por explicíta feminilidade mutilada. Restos de poesia, cacos de cristais refletindo luzes, sentidas e pressentidas pelo olimpo inteiro.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/12/2007
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