"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).

professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

Textos


 

 

 

Nossa poesia teve sua história iniciada no século XVI e transitou por muitos e diversos estilos. Sendo, sem dúvida, um dos gêneros mais apreciados por leitores e estudiosos.

Carlos Drummond de Andrade é considerado pela crítica literária o maior poeta brasileiro do século XX. E, tendo vários representantes, há muitos versos que habitam o imaginário coletivo e a memória afetiva do Brasil, como também há muitos poetas que deixaram sua marca na literatura nacional.

De Gonçalves Dias até Paulo Leminski, há muitos poemas essenciais e capazes de aguçar nosso desejo e lirismo. Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá... A canção de exílio relata a saudade da terra natal, onde as aves que aqui gorjeiam. Não gorjeiam como lá.

Já com Olavo Bilac, conseguiremos ouvir estrelas. E, depois de abrir as janelas, permaneço pálido de espanto. Conversando com estrelas, descobrimos a arte de amar.

Com Augusto dos Anjos conhecemos a "Psicologia de um vencido". Sendo filho do carbono e do amoníaco. Representado por um monstro de escuridão e rutilância. E, ainda sob a má influência dos signos do zodíaco. Tendo olhos capazes de roer e abandonar o frio da terra.

Com Manuel Bandeira, iremos embora para a Passárgada, pois lá somos amigos do rei. E, terá a mulher que quiser, na cama que escolher... Farei peripécias e terá alcaloide à vontade e, até prostitutas bonitas para namorar.

Com Drummond de Andrade conheceremos o "Poema das Sete faces"... onde confessa ter nascido um anjo torto... e a ouvir: Vai, Carlos! Ser gauche na vida. E, confessa, ainda, que com a lua e o conhaque ficamos comovidos como o diabo.

Cecília Meireles nos encantou com a poesia chamada "Motivo". E, revela que canta porque o instante existe. Não é alegre nem triste. É apenas poeta. E, ainda, prevê que um dia, estará mudo, e mais nada.

Paulo Leminski, com sua poesia "O que quer dizer". Afirma que não se deve ficar só querendo, num gerúndio infinito. Pois só dizendo num outro dia, que se vai ser feliz.

A contundência de Ferreira Gullar que nos esfrega a realidade na cara, mas ainda  assim é poética... Enfim, o preço do feijão não cabe no poema. Pois só cabe no poema, o homem sem estômago... e o poema, afinal, não fede nem cheira.

A história da poesia do Brasil começa no século XVI, o primeiro século da colonização, com a chegada dos padres da Companhia de Jesus, ou mais exatamente, com José de Anchieta, que escreveu versos latinos à Virgem Maria nas areias da praia de Iperoig, na atual Ubatuba, em São Paulo.

Depois de tanto tempo, a poesia passou por diversas escolas, chegando ao fim do século XX, no chamado e aclamado pós-modernismo. O pós-modernismo era uma forma de discurso sobre literatura e crítica literária, comentando a natureza do texto, significado, autor, leitor e leitura. E, se desenvolveu através da filosofia, das artes, da crítica como partida ou rejeição ao modernismo.

Nas décadas 80 e 90 surgiu o “pós-pós modernismo” e que divisou uma caracterização usada por George Ritzer em 1997 para a produção "O Império do Efêmero" de Lipovetsky, ou nas obras de David Foster Wallace, porém, alguns estudiosos, veem nesse termo não somente como ruptura mas, também, na continuidade do movimento pós-modernista...

Recentemente, o metamodernismo anunciou a morte do pós-modernismo, quando se observou a voz de alguns críticos  que descrevem teorias que visam captar a cultura  ou a sociedade nas supostas consequências do pós-modernismo.

Há ainda a hipermodernidade de Gilles Lipovetsky que traduz a exacerbação de valores criados na modernidade, elevados de forma exponencial.

A hipermodernidade traz a baila a sociedade liberal, tipificada pelo movimento pela fluidez, pela flexibilidade, pela indiferença nunca antes experimentada.  O que nos lembra a "Modernidade Líquida" de Zygmunt Bauman.

Não mais lastreados em conceitos sólidos, flutuamos, continuamente, como o mercúrio líquido a dimensionar a temperatura com sua languidez.

 

P.S.

O resto é silêncio.  São as últimas palavras de Hamlet nos trazem a principal reflexão que surge de toda a peça: depois que Hamlet disse tudo que deveria ser dito, o que restou foi silêncio.

Quando todo esse barulho que faço para não me enfrentar, quando eu decidir acabar com toda a distração ao meu redor, quando eu parar de me anestesiar e resolver, enfim, olhar para dentro de si. Quando todos que conheço se forem, o que restará?

Vazio. Silêncio. Sim, o resto é silêncio. Ou será poesia?

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/05/2022
Alterado em 28/05/2022
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