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encontro da tarde
Astréia criatura
Sua pureza me ofusca Sua ingenuidade me cala A languidez de seus olhos Me recorda a lascívia Seu cabelo escorrem sobre a face a dentro Corrompendo sua fisionomia Um olho me evita, outro olho me convida Fico confusa. Seu rigor semântico Cobrem os fonemas de tônicas e oclusivas Sua boca entreaberta Parece soprar reticências sobre tudo O infinito das sombras da tarde Tingem de rubor o calor ressentido das palavras Ao final nos cumprimentamos Tacitamente Seu olhar lambe o meu E ceticamente me afasto Quando em verdade Queria grudar-me ao corpo Morna sensação é bafejada pelo vento Que frio quase provoca um choque térmico Envolvo-me com o casaco. Abraço-me, Rebusco-me, procurando aquecer-me, esquecer-me, apagar-me do cenário sombrio A beleza pictórica circundante Me faz girar num cêntrico imperfeito A busca de imagem, da estética As palavras dormem a madorna Do meio-dia Secas e famintas de ouvintes Os poemas esses são nutridos Secretamente tal como os pássaros Que sobrevivem as piores intempéries Os poemas são cartas anônimas de sobreviventes, escritas por aqueles que resgatam a eternidade do esquecimento frugal provocado pelo fim da tarde.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/11/2007
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