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![]() Depois de tanta alegria
Alegria e furor inexplicáveis A realidade nos parece mais triste e feia. Como uma idosa obesa ou uma tartaruga doente. Depois de tanto fervor O céu morno de chuva esparsa parece distribuir gotas mágicas de lucidez Depois de tanta alegria De risos De fantasias, paetês e purpurina Vem o breu da escuridão, das trevas da ignorância do oco do mundo Onde o eco não pronuncia nada. A não ser o silêncio patético. Depois de tanta folia A ressaca A dor no estômago. A consciência dolorida de quem não foi dono nem da personagem e nem de si mesmo. Pobres foliões da quarta de cinzas Cinzentos Apáticos Neuróticos A procura no calendário de mais um motivo frívolo para comemorar. Comemorar mais uma morte. Mais uma violência. Ou simplesmente a banalização de ser humano. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/02/2020
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