![]() |
|
![]()
transitório
o tempo não passa por aqui
resta congelado nas paredes, nas vielas inclinadas o tempo cristalizado anda devagar, com a calma dos monges o corpo se encolhe de frio recolhe-se para dentro da alma que fugidia ainda se esconde do dia mal raiado de sol as pernas doendo me seguem em passos custosos e curtos o caminho não acaba o infinito é percorrido pelo frio o tempo e o verbo não passam, indefesa em meu silêncio pondero valores inquestionáveis o tempo e o vento contam histórias de ritmo estranho e cadenciado na batida dos relógios da igreja nos gongos primitivos, no tic-tac enlouquecedor a marcar milimetricamente a morte que possui hora e dia certo possui lugar certo e sobre ele colocam flores e remorsos as flores no frio possuem cor mais vivaz deve ser para compensar a solidão do vento o abandono do pólen jogado aos desvarios frígidos de manhã sem sol na chuva fina milhões de gotas singelas banham oceanos, praças, viadutos e, deixam o chão ensaboado, pistas escorregadias onde a queda e a gravidade é absolutamente natural a atração de tudo está no aconchego do interior no calor interno da mão que ainda há, do corpo que ainda pulsa embora encolhido na dor que ainda permite ao sobrevivente contar sua história. a história é um registro de dores e privações humanas, as vezes apenas compensadas por um futuro meramente promissor. as vezes compensadas pela certeza da transitoriedade.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 09/10/2007
Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


