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"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
professora Gisele Leite
Diálogos jurídicos & poéticos
Textos
Abysmus significa sem fundo. Uma grande depressão vertical. É assim que sinto a minha alma diante das crueldades diárias dos dias. Da falta senil de afeto. Da falta infantil de racionalidade. O abismo é o caos, o último grau das trevas. Mas, assim conheceremos a luz.

O abismo entendido como inferno é conceito presente em diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos indistintamente, segundo alguns, ou o lugar de condenação e de firme sofrimento.

A Bíblia hebraica ou Velho Testamento utiliza sessenta e cinco vezes o termo "sheol", ou seja, inferno para se referir ao submundo de mortos retratado como profundo e escuríssimo abismo.

A fusão entre paixão, desejo, pecado e condenação envolvida e construtora do chamado inferno permitiram ao imaginário contemporâneo, que antevia um lugar de prazer e servidão ao prazer do que propriamente de sofrimento ou purificação.

E, tal fenômeno é bem observado na cultura cristã ou cristanizada que envida esforços às noções de purificação do monoteísmo e, até condenou as divindades mais ligadas à fertilidade, paixões e da  energia sexual, o que literalmente as transformou em demônios.

Contam-se dezoito formas de infernos no budismo, sendo oito quentes, oito frios e mais dois infernos que são, na verdade, duas subcategorias de infernos: os da vizinhança dos infernos quentes e o infernos efêmeros.

Além desses dezoito que constituem o "Reino dos Infernos", pelo sofrimento, o "Reino dos Fantasmas Famintos" é comparável à noção de inferno, sendo constituído de estados de consciência de forte privação - como fome ou sede - sem que haja possibilidade de saciar essa privação.

No budismo, o renascimento em um inferno é uma consequência das virtudes e não-virtudes praticadas, de acordo com a verdade relativa do karma. Entretanto, alguns poucos atos podem, por si, conduzir a um renascimento nos infernos, principalmente o ato de matar um Buda e o ato de matar o próprio pai ou a própria mãe. A meditação sobre os infernos deve gerar compaixão.

Analisemos o inferno conforme as religiões abaixo-citadas:

Espiritismo (aprox. 13 milhões de adeptos) não é exatamente uma religião, mas também entra na lista do comportamento religioso. A sobrevivência do espírito após a morte e a reencarnação são as bases dessa doutrina, que surgiu na França e se expandiu pelo mundo a partir da publicação de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec (1857). É no Brasil que se encontra a maior comunidade espírita do mundo: 1,3% da população do país é espíritualista.

Deus não imputa pena eterna a nenhum de seus filhos. Podem sofrer, enquanto não despertarem para o bem se propuserem a trilhar o reto caminho. Um dia mais cedo ou mais tarde ele, o Criador, na sua misericórdia
e amor, concederá à criatura sofredora retorno à carne para continuar o seu aprendizado e aperfeiçoamento. Estes conceitos são encontrados em O Livro dos Espíritos, editado em Abril de 1857 na sua quarta parte e, no livro "O Céu e o Inferno" editado em 1865. Ambas obras tendo como codificador (organizador), Allan Kardec.

Judaísmo (aprox. 15 milhões de adeptos) atualmente, a maior parte dos judeus do mundo vive em Israel e nos Estados Unidos, para onde migraram fugindo da perseguição nazista. Mesmo assim, os judeus representam somente 1,7% da população norte-americana. Enquanto isso, na Argentina, nossos "hermanos" judeus são 2% da população. E, de acordo com o pensamento dos israelitas antigos, um abismo escuro e silencioso situado nas profundezas da terra, para onde todas as pessoas iam depois de morrer."

"Sheol é o termo preferido dos textos poéticos, pois exceto oito passagens no AT, todas as demais ocorrem em textos poéticos. "Sheol" é a sepultura ou morada de todos os mortos indistintamente. Em várias ocorrências da palavra não é um local desejável de se ir, exceto quando preferível a um grande sofrimento aqui na terra dos vivos. Mas está completamente ausente o ensino de que era um local de fogo e tormento dos maus como na ideia atual de inferno

Sikhismo (aprox. 20 milhões de adeptos) embora pouco difundido, o Sikhismo é a sexta maior religião do mundo.  A doutrina monoteísta foi fundada no século XVI por Guru Nanak e se baseia em seus ensinamentos. O sikhismo nasceu na província de Punjab, na Índia, e grande parte de seus seguidores ainda vivem na região. Eles representam 1,9% da população da Índia e 0,3% de Fiji.

Budismo (aprox. 376 milhões de adeptos) é doutrina baseada nos ensinamentos de Siddharta Gautama, o Buda (600 a.C.), busca a realização plena da natureza humana. A existência é um ciclo contínuo de morte e renascimento, no qual vidas presentes e passadas estão interligadas.

Como era de se esperar, essa religião oriental é a principal doutrina em vários países do sudeste asiático, como Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia. No Japão, é a segunda maior religião do país: 71,4% da população é praticante (muitos japoneses praticam mais de uma religião e, portanto, são contados mais de uma vez).

Religião tradicional chinesa (aprox. 400 milhões de adeptos)  é um termo usado para descrever uma complexa interação entre as diferentes religiões e tradições filosóficas praticadas na China.

Os adeptos da religião tradicional chinesa misturam credos e práticas de diferentes doutrinas, como o Confucionismo, o Taoísmo, o Budismo e outras religiões menores. Com mais de 400 milhões de praticantes, eles representam cerca de 6% da população mundial.

Hinduísmo (aprox. 900 milhões de adeptos) é baseado nos textos Vedas, o hinduísmo abrange seitas e variações monoteístas e politeístas, sem um corpo único de doutrinas ou escrituras. Os hindus representam mais de 80% da população na Índia e no Nepal.

Mesmo com tamanha variedade, são apenas a terceira maior religião do mundo. Porém, ostentam um título mais original: o maior monumento religioso do planeta. Trata-se do templo Angkor Wat – depois convertido em mosteiro budista –, que tem cerca de 40 quilômetros quadrados e foi construído no Camboja no século XII.

Islamismo (aprox. 1,6 bilhões de adeptos) a medalha de prata, ou seja, o segundo lugar, na lista das religiões é dos muçulmanos. Aliás, nessa religião o inferno é eterno consistindo em sete portões pelos quais entram as várias categorias de condenados, sejam eles muçulmanos injustos ou não-muçulmanos.

Como na crença judaica, para o islamismo o inferno também é um lugar de purificação das almas, onde aqueles que, se ao menos um dia de suas vidas acreditaram que Deus (Allah) é único, não gerou e nem foi gerado, terão suas almas levadas ao Paraíso um dia.

Segundo projeções, daqui vinte anos, eles serão mais de um quarto da população mundial. Se esse cenário se concretizar, o número de muçulmanos nos Estados Unidos vai mais do que dobrar e um quarto da população israelense será praticante do islamismo. Além disso, França e Bélgica se tornarão mais de 10% islâmicas.

Cristianismo (aproximadamente 2,2 bilhões de adeptos) mesmo com o crescimento de outras religiões, o cristianismo continua sendo a doutrina com mais adeptos no mundo todo. Porém, seus seguidores têm mudado de perfil.

Há um século, dois terços dos cristãos viviam na Europa. Hoje, os europeus representam apenas um quarto dos cristãos. Mas, o interessante mesmo é apontar onde o cristianismo mais cresceu no último século foi na África Subsaariana. De 1910 para cá, a população cristã da região saltou de 9 para 516 milhões de adeptos.

Embora o Novo Testamento utilize dez vezes a palavra grega "hades" comum para se referir ao mundo dos mortos, no entanto, está ausente a ideia de deificação de Hades como o deus e guardião do submundo conforme a mitologia grega.

Nem mesmo a ideia tão comum hoje no cristianismo de que o inferno é o reino de Satanás ou Diabo onde ele domina e atormenta as almas dos condenados (bem semelhante a mitologia grega de Hades) está completamente ausente do texto bíblico.

Na verdade  o que vemos no Novo Testamento é que os demônios temem e imploram para não serem lançados no abismo (ver Romanos 10.7 lugar de aprisionamento e condenação para eles (veja Lucas 8.28,31; Apocalipse 20.3).

Essa noção de inferno como sendo o reino do Diabo foi popularizada pela obra de Dante Aligheri, Divina Comédia [confira também Inferno (Divina Comédia)], onde o nono círculo, o mais profundo é onde está Satanás atormentando os piores pecadores, em sua visão.
 
É comum que o conceito de inferno venha com o tempo a receber novas conotações que ultrapassem  ao significado original ou até mesmo mudando completamente seu significado original.

É verdade que em muitas religiões interpretam o inferno, como sendo o destino de apenas alguns; pessoas que não assumiram uma condua louvável no ponto de vista religioso e, que por isso, foram condenadas ao sofrimento jamais visto pelo mundo material.

Segundo o teólogo Herman Bavinck que apontou contundente observação a respeito da mudança no uso da palavra inferno , afirmou que a palavra Hades gradualmente alterou seu significado.

Aliás, a afirmação de que Cristo desceu ao Hades só poderia surgir numa época quando tal vocábulo não tinha o sentido de mundo depois da morte, em geral e, ainda, não tinha adquirido o
sentido de inferno.

No período patrístico a noção de inferno foi dividido em áreas para bons e maus, lembrando bastante a ideia de Hades da mitologia grega. E, concebeu-se o famoso limbus patrium (dos patriarcas antes de Cristo) e limbus infantium (das crianças). Tais limbos significam a borda ou margem do inferno.

Já na Idade Média, a interpretação mais comum é que os antigos patriarcas iam para o céu. Já homens como Marcião de Sinope, Tertuliano, Irineu, Justino Mártir, etc, criam que Jesus desceu ao inferno para livrar as almas dos justos que morreram antes de sua vinda.

Já para outros, Jesus havia ido ao purgatório para livrar as almas que ali se encontravam. Essa não só é o pensamento católico, como também de alguns protestantes que, em vez de chamar de limbus patrium, chama de ceio de Abraão.

No cristianismo antigo, o que se pensava, e mais tarde Lutero também afirmou era que Jesus foi o próprio coração do
reino de Satanás, e ali destruiu seu poder para sempre, libertando aqueles que Santanás tinha cativos.

O inferno da obra "A Divina Comédia" de Dante Alighieri trouxe finalmente a popularização do conceito d einferno como sendo um local de fogo onde os demônios atormentam as almas condenadas. E, tal visão veio a se tornar tão popular entre os cristãos e não-cristãos.

Dante, por sua vez, encontra-se com o poeta Virgílio (autor de Eneida) e com ele entra e passeia pelo inferno. Tal sugestivo encontro demonstra que há uma descrição sincretista entre o inferno bíblioco e o da mitologia greco-romana de Hades.

Há nove círculos ou níveis sendo que cada um é reservado para um tipo de pecador indo crescendo até o grau do nono círculo onde reside o próprio Diabo.
 
Nas teologias protestante e católica, o Anjo Caído ou Decaído e, em certas obras pseudocanônicas (isto é, apócrifos, aqueles escritos excluídos do cânone bíblico) é o anjo que cobiçando por maior poder, se acaba entregando-se às trevas e ao pecado, sendo expulso do Paraíso.

O diabo ou também chamado de Lúcifer que significa literalmente o portador da luz, é termo de origem latina para o planeta Vênus e que aparece nas traduções da Bíblia Bulgata de SãoJerônimo.

No cristianismo, o nome restou ligado a Satã, devido à interpretação de uma profecia do livro de Isaías que falava que a queda de um dos reis da Babilônia, possivelmente Nabucodonosor II.

Registre-se que na religião judaica não há um ser totalmente malévolo que combata contra o criador. E, por outro lado, o nome hillel ben shachar que foi encontrado nos livros dos profetas Isaías e Ezequiel a quem muitos ligam o Diabo, não tem importância no contexto judaico pois trata-se de uma referência ao rei da Babilônia, Nabucodonosor II, que assim era chamado.

Atribuiu-se a um erro de interpretação segundo a visão hebraica, a leitura da frase fora do contexto pleno, pelo qual o profeta fazia a exortação direta ao monarca. De acordo com o teólogo Óscar Quevedo, Lúcifer passou a ser identificado como Satã após Orígenes, sendo a passagem de Isaías 14:12 uma representação da queda do reinado tirânico de Nabucodonosor II, rei da Babilônia.
 
Sendo assim, uma ameaça divina meramente metafórica, sendo posteriormente difundida entre os cristãos convertendo esses deuses pagãos em demônios. Inexiste qualquer relação a um anjo caído, nem relação direta com as terminologias Diabo, que vem do latim, Satã, oriunda do hebraico (Shai'tan יריב ) e demônio, que tem origem grega (heōsphoros).

 
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 09/02/2020
Alterado em 09/02/2020
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