"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
professora Gisele Leite
Diálogos jurídicos & poéticos
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A virada do milênio situa-se na transição entre os séculos X e XI na Europa,
quando ocorreu a introdução de novas tecnologias que são atualmente consideradas revolucionárias tanto pelos historiadores como antropólogos.

Deu-se a grande ampliação de áreas cultivadas e, consequentemente, a majoração da capacidade de produção agrícola.Tais técnicas e ferramentas mudaram profundamente o panorama da vida dos homens medievais e favoreceram o crescimento populacional, bem como a retomada de práticas comercialis realizadas em insurgentes feiras locais.

Séculos mais tarde, a produção de excedentes agrícolas já dinamizavam os pequenos centro comerciais fortificados que recebiam a denominação latina de burgus, que no latim, significa pequena fortificação. E, neste sentido, os comerciantes que viviam nos burgos, viriam a ser conhecidos como burgueses.

Uma invenção muito útil foi a dos arreios, também chamados de arnês, e se refere à toda estrutura que é vestida no cavalo, de maneira a facilitar a montaria, bem como para atrelar carroças e instrumentos que dependessem da tração gerada por este animal.

A principal inovação do arreio decorreu do fato do referido instrumento impedir que o animal viesse a quebar o pescoço enquanto realizava a força de tração.

Lembremos que até então era necessário manter dois ou mais bois para ajudarem nos trabalhos de tração no campo, mas com a invenção dos arreios o homem medieval precisava apenas de um único animal para que servisse
tanto para o transporte como também para o duro e pesado trabalho rural.

Outra invenção foi a charrua de ferro que era usada para sulcar a terra, e portanto, para cultivá-la e antes, se dava por meio de unstrumento rudimentar chamado arado.

O maior problema do arado é que sua ponta de madeira ficava em contato com o solo, e, muitas vezes quebrava durante a aragem da terra, ao passo que eigia uma força bem maior para a realização do trabalho.

E, os referidos resultados não eram muito eficientes, já que como o sulco na terra não era bem profundo, muitos animais tais como aves e roedores acabam por comerem as sementes, e com isso, contribuírem para a redução da produção agrícola.

A charrua, por sua vez possuía uma lâmina de ferro que rasgava o solo com maior força e, deslizava sobre o solo com maior facilidade e proporcionava sulcos mais profundos, permitindo assim uma semeadura mais eficiente e,
assim, propiciando a majoração da produção agrícola.

Segundo o renomado historiador brasileiro Hilário Franco Júnior em sua obra Idade Média; O Nascimento do Ocidente que este talvez tenha sido o  maior desenvolvimento tecnológico da época, uma vez que possibilitou um substancial aumento na produção agrícola. E, tal fato contriuiu para haver excedentes e todo desenvolvimento comercial posterior.

A rotação trienal das culturas buscava a preservar o solo por meio da divisão das zonas de cultivo em três partes, nas quais apenas duas deveriam produzir diferentes variedades, enquanto a terceira permaneceria em descanso. E, desta forma, tal técnica ajudava a reduzir a exaustão do solo e manter os índices de produtividade.

Os estribos representam um dos fundamentais componentes para a realização de montaria de cavalos. E, tal peça poderia ser confeccionada em ferro ou em aço, ficando presa na lateral da sela por uma tira dde couro, chamada de loro, e serve para dar equilíbrio ao montador, que pode então dar o impulso na hora de montar o animal. E, se não fosse os estribos, os cabaleiros mais pareceriam um comediante de pastelão, nas fracassadas tentativas de montar.

Interessante curiosidade é que muitas pessoas ainda acreditam que deve-se sempre montar o cavalo pelo lado esquerdo para não o manchuvar e nem o irritar. No entanto, trata-se de mero mito, pois o real motivo de haver um lado para montar, resulta de regras militares instituídas para evitar a confusão na hora de montar os animais, principalmente nos batalhões de cavalaria.

Outra preciosa invenção é o moinho que apesar de ser uema tecnologia desde a Antiguidade, foi durante a virada do milênio que ganhou os campos da Europa feudal. E, tais estruturas redirecionaram as forças, seja do vento, da água ou mesmo da tração animal para a realização de procedimento mecânico tal como moer, rolar ou bater.

Os moinhos eram usados por camponeses e artesãos para acelerar o processo de beneficiamento agrícola  principalmente moer, descascar e triturar grãos e cereais e foram responsáveis por grande aumento da produtividade agrícola.

A luta com os moinhos de vento é única e ajudou a forjar o mito quixotesco, porque envolve objetos inanimados que se transformam, para Dom Quixote, em gigantes cruéis, e depois, novamente, em moinhos de vento.

O absurdo não reside somente em ver gigantes onde há trinta ou mais moinhos de ventos, mas principalmente em arremeter sozinho contra todos eles, gritando: "Não fujam, criaturas vis e covardes, que um cavaleiro sozinho é quem os ataca".

A pá de um dos moinhos, porém, derruba o ousado cavaleiro, dando o tema para uma das imagens mais representada pelos artistas ao longo dos séculos.

O herói ferido, no chão, é admoestado por Sancho, seu fiel escurdeiro, que lhe pergunta como não viu que atacava apenas moinhos de vento. E, então, Quixote manda o amigo se calar, lhe explicando que as coisas da guerra, mais que tantas outras, estão sujeitas à mudança contínua.

Em verdade, ele explica para o seu rústico escudeiro, o sábio Frestão transformou de repente em gigantes em moinhos de vento, justamente para lhe roubar a glória da vitória.

Dom Quixote, ainda falou: - Lutar com moinhos de vento, tornou-se desde então, em todas as línguas ocidentas o paradigma da luta inútil. E, não importa o protagonista, entretanto, que esta se apresente inútil, se a entende
como necessária para o seu desejo, e, portanto importante e necessária para o mundo.

O episódio dos moinhos de vento se tornou a própria metáfora da loucura, traduzindo o resumo da ópera Dom Quixote. Onde um louco cabaleiro investe sua lança contra as imensas pás rodantes do moinho, tendo apenas como testemunha o atônito e fiel escudeiro Sancho Pança que tentara em vão dissuadi-lo.

Na luta quixotesca enxerga gigantes ao invés de meros moinhos de ventos, mas usamos da coragem do personagem, numa particular fala: - Não fujam, criaturas vis e covardes, que um cavaleiro sozinho é quem os ataca".

 Atualmente pode-se afirmar que Miguel Cervantes foi autor que se baseou em fatos reais para sua história. confirma o pesquisador Javier Escudero que localizou em meios aos Arquivos Diocesanos da cidade de Cuenca, registros da existência de um homem que atacou um moindo de vento na cidade de El Toboso, entre 1594 e 1595.

“O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha” é o mais importante romance espanhol. Dividido em duas partes, publicadas pela primeira vez em 1605 e 1615, conta as aventuras de Dom Quixote (Alonso Quixano), um homem que decide se tornar cavaleiro andante após ler novelas de cavalaria em excesso; de seu cavalo desnutrido, Rocinante; e de Sancho Pança, um lavrador que, mesmo sabendo dos delírios de Quixote, aceita ser seu escudeiro ao ser prometido uma ilha para governar".

O livro de Miguel de Cervantes y Saavedra é considerado por muitos coo sendo a obra pioneira do romance moderno. E sua contribuição para a língua castelhana é enorme, pois fora um dos primeiros das línguas europeias modernas e, é considerado por meios o expoente máximo da literatura espanhola.

A história de Dom Quixote pretendia ser uma paródia dos livros de cabalaria de seu tempo, bastante lidos e reverenciado durante o século XVII. Em 2017, comemorou-se quatrocentos e setenta e dois anos do nascimento de Miguel de Cervantes.

O poeta Carlos Drummond de Andrade também deixou lindos versos sobre Dom Quixote:

Disquisição na insônia
Que é loucura; ser cavaleiro andante
Ou segui-lo como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiro?
O que, acordado, sonha doidamente?
O que, mesmo vendado,
Vê o real e segue o sonho
De um doido pelas bruxas embruxado?
Eis-me, talvez, o único maluco,
E me sabendo tal, sem grão de siso,
Sou – que doideira – um louco de juízo.

No fundo, todos nós temos um Dom Quixote e Sancho Pança dentro de nossas almas.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 24/01/2020
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