![]() |
|
![]() Seus olhos eram de um azul profundo.
Rogava aos céus para naufragar naquele azul. Entender, ouvir e acalentar todas suas carências e medos. Suas mãos polares traduziam um frio duro e disseminavam um arrepio que percorria toda a alma. Em silêncio, confidenciávamos pecados mortais, paradoxos banais e a intensa dor de existir. No fundo de todo seu naufrágio, eu via o abandono fossilizado em seu rosto e gravado em sua caligrafia sofrível. Nunca cogitamos sobre amor e nem afeto. Mas, nossos corpos eram cúmplices e patéticos Pulavam do atrito até a osmose. Um dia inesperado, chegou a hora de partir. Do adeus inexorável. Sabíamos que nem o espaço e o tempo nos entendiam. Apenas nos divorciavam. E, a ponte que unia nossas almas não se nutria de meias verdades, meias palaras e, estando sem meias com pés desnudos e sem raízes enficadas na terra, Flanávamos livres em pleno furacão dos românticos. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 23/01/2020
Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


