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equação
assento-me sobre o muro
aqui do alto tudo é pensamento e lá embaixo, tudo é chão assento-me sobre a pedra tão alta, tão limada escorregadia escorrem meus pensamentos sobre a pedra corroem-lhe a forma e numa nova estética migram intuições arenosas a se espalharem ao luz do dia assento-me novamente sobre a ponte e vejo a ligação impossível e improvável do distante ponto apagado ao final de uma curva a esse lado daqui tão vizinho, tão peculiar percorro toda a ponte para chegar ao longe e descubro que a distância está em nós, nos vagos pensamentos retilíneos sobre a vida e felicidade corroem o ácido muriático as esperanças e ilusões do romantismo barato não sobra nada. A flor queria espalhar sementes e disseminar suas espécies sobre as lápides, sobre os jardins, sobre o asfalto negro e impiedoso A flor queria trair as raízes e fecundar junto aos mariscos e banhar-se na espuma do mar aqui em cima desse muro permanece mudo matutando sobre a pedra e a ponte sobre o eclipse de amor luzente que incandesce antes da expectativa da manhã no mapa astral há previsões insuspeitas de romance irremediável paixões controladas por sussurros e a pedra, o infinito emolduram uma solidão em minha vida as flores remediam a saudade da primavera os astros aliviam a certeza do amanhã e da morte, brincam as previsões nos astros e galáxias de traçarem enigmas perfeitamente revelados, amores transcendentes e felicidades instantâneas assento-me no topo da torre vejo a floresta, vejo além, o mar sibilando à areia esse segredo insondável aqui em cima só há pensamentos e nuvens lá embaixo só chão e trevas decifrar o concreto pelo abstrato é achar a equação da vida. é achar o eu na ação. sujeito e objeto.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/10/2007
Alterado em 05/10/2007 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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