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"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
professora Gisele Leite
Diálogos jurídicos & poéticos
Textos
 
Muitos herois nacionais tais como Dom Pedro I, Tiradentes e Getúlio Vargas não tinham propriamente  personalidades tão admiráveis assim. Existem muitos detalhes ocultos na história. Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, era um homem de quarenta e cinco anos quando foi condenado à morte por traição à coroa portuguesa.

E, teve ainda seu corpo esquartejado e partes ficaram expostas em quatro localidades, em Santana de Cebolas (atual Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul), Arraial da Igreja Nova (atual Barbacena), Estalagem da Varginha e Sítio das Bandeiras.

Sua cabeça ficou bem à vista em Vila Rica (atual Ouro preto) que era a principal província no período do ciclo do ouro,  por um curto período. A coroa portuguesa foi particularmente cruel com Tiradentes, até porque os demais inconfidentes não tiveram o mesmo trágico fim. E, mesmo os que receberam a sentença de morte, tiveram a clemência da rainha D. Maria I, exceto o pobre alferes que por ser um soldado raso e também por ser o mais pobre de todos, mereceu o duro castigo.

A figura de Tiradentes ganhou maior destaque por ocasião do golpe político-militar, quando foi instaurada a república no Brasil e, quem o fez era um monarquista ferrenho. Aliás, Marechal Deodoro da Fonseca fora o presidente mais monarquista do mundo.

Necessitava-se, na ocasião, de figuras heróicas a serem valoradas e não tinham opções tão atraentes quanto aquele homem que fora enforcado e esquartejado por defender um movimento de cunho separatista e republicano além de ser contrário à coroa portuguesa.

A figura de Tiradentes agradava bem aos civis, pois sua imagem representava o homem bom, revoltado com o Estado opressor e absolutista e, também agradava aos militares, devido ter sido alferes, e, de quebra, sua história ainda recordava a de Jesus Cristo.  O que o torna conveniente aos militares e religiosos simultaneamente.

Tendo sido traído e morto de forma tão simbólica pelo governo português. Então, num país majoritariamente católico, foi deveras conveniente a incorporação de Tiradentes ao imaginário pátrio. Aliás, em razão de ter sido militar, Tiradentes não possuía cabelos longos e nem barba. E, mesmo após a prisão, já existia o costume de raspar as cabeças dos capturados, enfim, para evitar a infestação de piolhos (aliás, muitos trazidos diretamente da Corte, com  vinda da família real portuguesa).

Cumpre salientar que o alferes fora executado, enforcado com sua cabeça raspada e barba feita. Mas, afinal, essa não seria uma imagem impactante. Por isso, foi a partir da pintura feita por um artista republicano Décio Villares, em 1890, que recebeu os aspectos messiânicos em sua feição. Tal como Jesus Cristo se apresentava com longos cabelos e barba cheia, vestindo uma túnica rasgada e branca caminhando para sua execução.

Mais de um século adiante, com o Brasil já independente, mas mostrando atração e vocação por governos rígidos e autoritários, veio os regimes ditatoriais. E,o momento mais agressivo corresponde mesmo a Era Vargas, conhecido então como o Estado Novo.

Então o regime ditatorial fora reinstaurado devido a um plano urdido por comunistas com o fito de controlar o Brasil, o chamado Plano Cohen.
E, assim a partir desse plano que Vargas anunciou a anulação da Constituição de 1934 e, proferiu mais um golpe dado e permaneceu no poder por mais um bom tempo.

Porém, o famigerado Plano Cohen nunca saira da mente de comunistas, mas sim, do então capitão Olímpio Mourão Filho, que era chefe da Ação Integralista Brasileira, um movimento ultranacionalista e fascista que apoiava francamente Vargas. A ideia do capitão foi tão bem montada que concebera um falso plano de cunho judaico-comunista, assim, reunira basicamente dois grandes inimigos da ditadura nazista na Alemanha.

A mesma ameaça comunista também foi o estopim para os militares brasileiros viessem  depor João Goulart em 1964. Principalmente devido a grande proximidade de Jango com as camadas trabalhadoras, em decorrência da abrupta saída de Jânio Quadros.

Aliás, foram as medidas de Jango que tanto alimentaram a ideia ou o pavor de que seu sucessor seria comunista, pois teria sido enviado à China para uma visita ao líder Mao Tsé-Tung. Uma vez consumado e consolidado o golpe de Estado de 1964, aqueles considerados como subversivos eram sempre aliados ao comunismo e a situação que se seguiu por duas décadas.

Dom Pedro I que nasceu em 12 de outubro de 1798 no Palácio de Queluz, era o quarto filho dos seis que foram concebidos pelo matrimônio com Carlota Joaquina. Tornara-se o segundo na linha sucessória do trono português, após a morte de seu irmão mais velho, Francisco Antônio, que veio a falecer com apenas seis anos de idade.

Aliás, Dom João e Carlota Joaquina se odiavam e já estavam separados, tanto que moravam em palácios diferentes, assim como seus filhos, que moravam com a mãe de Dom João, D. Maria I.

Em 1808, Pedro I tinha apenas nove anos de idade e, seu comportamenteo não era inibido, sendo sempre muito agitado e extrovertido. Seria o que chamamos atualmente de hiperativo.

Aliás, o príncipe também sofria de epilepsia, havendo muitos casos em que as crises aconteciam em público, como por exemplo, numa das solenidades de aniversário de Dom João VI em 1816. Dom Pedro I era hiperativo, epiléptico, mulherengo e inseguro sobre a independência que posteriormente veio a proclamar, tudo aquilo que os quadros não mostram.

Ao final das contas, Dom Pedro teria sido conduzido por um temor a uma possível guerra de independência que poderia resultar em nova distribuição hierárquica de poder ou até em um novo regime político no Brasil, que  afastaria definitivamente os interesses de Portugal.

Além de ter composto o Hino da Indenpedência e que foi o Hino nacional brasileiro até abdicar do trono, em 1831,  organizou um governo nos moldes europeus absolutistas.

Em 1824 veio ainda outorgar uma constituição de caráter nitidamente absolutista, tendo criado inclusive o quarto poder,
o chamado Moderador que lhe garantia uma forte influência sobre o Legislativo, Executivo e o Judiciário.

Foram muitos os acontecimentos marcantes na biografia de Dom Pedro I que nem parece que já faleceu há tanto tempo, em 24 de setembro de 1834, com apenas 35 anos, veio ser vitimado pela tuberculose. Já não mais vivia no Brasil e, havia deixado o trono para seu filho Dom Pedro II. Quando seu pai Dom João VI morreu, foi proclamado Rei de Portugal, com o nome de Dom Pedro IV de Portugal.

Mas, como sabia do conflito de interesses entre os dois povos ( português e espanhol), veio a ceder o trono lusitado para sua filha, Maria II. Porém, um golpe engendrado por Miguel, seu irmão, associado a Carlota Joaquina e suas irmãs, veio a tomar o trono, iniciando a Guerra civil Portuguesa. A guerra só se encerrou após seis anos de disputadas, resultando com o retorno de Maria II ao trono em 1834, quando seu pai já estava moribundo.

Outro personagem heroico, foi Getúlio Dorneles Vargas, que dentro do sistema republicano brasileiro foi quem mais tempo esteve na presidência
do país, onde acumulou tanta popularidade, algozes e muitas contradições.

A Era Vargas ocorreu quando Getúlio permaneceu no poder por quinze anos. Um tempo marcado por três fases distintas, conhecidas como governo provisório, governo constitucionalista e Estado Novo. Assim, começou assumindo como mero chefe do governo provisório, sem o título de presidente, apesar de dotado de amplos poderes.

Com a Constituição brasileira de 1934 fora eleito presidente pelo voto indireto dos constituintes. E, seu mando iria até o final de 1937, mas por conta de um suposto plano comunista para tomada de poder, ele próprio deu o golpe de Estado, anulando a Constituição e instaurou um governo ditatorial. Modelo que se seguiu até 1945, quando os militares que colocaram Vargas no poder, o depuseram. Mas, a sua incrível popularidade o trouxe novamente em 1951, sendo eleito democraticamente.

Aliás, a eleição de Vargas por voto popular foi marcante. Sua popularidade advinha da imagem idolatrante de Vargas difundida, principalmente na época do Estado Novo, com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e, a ter assumido a figura de "pai dos pobres" e "salvador da pátria" pois Getúlio estava magicamente em vários lugares, até nas moedas em circulação.

Há contradições insanáveis na biografia de Vargas. O primeiro aspecto é a dualidade entre a figura paternalista e o aspecto firmemente repressor
do regime ditatorial que impôs, pois o DIP era o responsável tantro pela propaganda e promoção da imagem de Vargas como também pela
repressão aos opositores.

Aliás, o escritor Monteiro lobato, por exemplo, fora enquadrado por injuriar o poder público, ou um agente que o exerce por meio de palavras, inscrições ou gravuras de imprensa. Gracilianos Ramos, outro escritor, esteve encarcerados, por suas convicções políticas esquerdistas, em um momento de caça aos comunistas devido a Intentona Comunista de 1935.

Apesar de períodos obscuros da biografia de Vargas é inegável que marcou a política e a história nacional principalmente devido a sua visão industrializante que tanto credenciou a modernização da sociedade brasileira e trouxe maior aproximação do povo na formação política do país.

Nos bastidores comenta-se, ainda hoje, que seu temperamento era difícil e colérico. Sendo mesmo dado a ter rompantes e descompensações de humor. Assim, nossos herois nem foram tão nobres como foram pintados e retratados. São apenas invencionices heróicas.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 26/05/2019
Alterado em 27/05/2019
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