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![]() Você está condenado a sentir culpa
Sentir remorso e ter medo. Você está condenado a perecer enquanto tempo passa. O hoje logo será vaga lembrança. O amanhã será um breve instante. E, de repente, todas as recordações parecem um filme sem fim. Tal qual "E o vento levou..." Sua consciência lhe sussurará mantras, preces e principalmente conselhos. - Não vá por ali. - Não aceite favores. Não sorria. Sigo então meu caminho sisuda. Séria... a pular amarelinha e a cair no céu imaginário. Você está condenado a ver e a enxergar. Enxergar dentro das pessoas. Ler livros e almas. Decifrar sentimentos e ressentimentos. E, com calma e parcimônia. Ponderar sem julgar. Nunca vesti seus sapatos. Nunca andei por seus passos e nem senti exatamente o ser que habita em seu âmago. Qual é a dor e a delícia de ser quem você é? Como poderei julgar? Se errou? Se acertou? Se titubeou e, ainda, assim pecou. Pecou como reles mortal. Pecou como Prometeu que deu o fogo aos homens. Pecou a Sibila de Cumas que pediu a imortalidade mas se esqueceu de pedir a eterna juventude. E, assim, se tornou tão consumida pela idade que ao final, desejava avidamente a morte. O fogo destruiu os Livros Sibilinos e, por duas vezes não conseguimos saber de seus mistérios. Você está condenado a viver os paradoxos, as metamorfoses e, sobretudo, o milagre diário da vida. Até que um dia, chega o fim. E a eternidade se principia com tudo que você deixou para atrás. São sementes aleatórias que profeticamente germinarão. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/05/2019
Alterado em 15/08/2019 Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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