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![]() Lá fora jaz uma noite sem lua. E as estrelas atônitas procuram guiar-se. Formam constelações enigmáticas E, o silêncio costura os fonemas na bainha do tempo. As palavras em sua voz soam como passarinhos voando em neblina procurando uma semântica para pousarem. Finalmente a sua presença inunda a sala, reverbera pelos fios tensos esticados no ambiente. A presença é uma crença. No jardim, há um besouro que é resistente. Errante e viril. À espera da noite sem lua que mais parece uma seresta sem lirismo. Você continuava a falar. A gesticular Suas órbitas oculares perfaziam elipses absurdas. Pois tudo era pequeno e modesto. E, eu ali, de pé a contemplar com semi-riso a sua imensa teatralidade. A visão do bastidor é sempre canastrona. Depois de todo discurso. Sentei-me. Suspirei aliviada. Retornaríamos a contemplação pungente. De rimas intrínsecas. Ao lirismo incondicional e ao pasadiço imoral da vida. Perdemos mais do que achamos. Gastamos mais do que ganhamos. Erosões singelas, ácaros ferozes e a pele humana vai se depauperando. Os órgãos, as veias, as artérias se entopem e falham. E, as ideias fluem com a velocidade de um jabuti. A se arrastar atrás da alface. Com o tempo, não há mais saciedade. não há mais ansiedade. Os relógios são tolos. Os punhos são fracos. E os golpes da história são cíclicos. Repetem-se tragédias pressentidas. Fecharei a boca. Secarei a pena. Engavetarei textos e poemas. Usarei o mimetismo dos parvos. O silêncio é panaceia de tudo. E os fonemas são o veneno homeopático. Morremos, enfim, pela boca. Estamos perdidos em achados. A identidade nos revela mas nos trai. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 03/11/2018
Alterado em 03/11/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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