![]() |
|
![]()
poesia perdida
perdi a rima
perdi a poesia perdi a metade de tudo e assim partida ao meio ao léu continuo a flanar perdi a palavra banhada na água benta perdi a expressão sou um animal cheio de dor e grunhido minha face é retorcida minhas lágrimas são gotas de náusea e cansaço perdi o rumo do deserto o camelo morreu o oásis distante é lembrança é brisa que se sente no fim da primavera mas ainda tenho a lembrança não tenho mais poesia mas tenho o flash mágico a clicar cenas, luzes, cheiros e sabores instantâneos de viver assim tão urgentemente tão sofregamente não há mais oxigênio em meu escafandro não há mais santidade em miha redoma não há mais delicadeza em meus dedos em minha alma deserdada perdi a rima na ilha cercada de tubarões no abismo secreto das senhas perdi a poesia no segredo dos dias comuns encontrei a estranha alegria em simplesmente estar a flanar, sobrevoar tudo bem acima da imaginação, dos limites da música intrínseca dos pássaros quem achar, peço favor acenar, taquigrafar, escrever, tossir ou mesmo vomitar. não importa, torne e retorne a poesia para que em tudo esteja... regurgitada das almas diárias, das árvores velhas, dos poetas ocasionais, das crianças que brincam de amarelinha e riscam o céu como fim da estrada.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 11/09/2007
Alterado em 11/09/2007 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


