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![]() Há algo dentro de mim que é negação. E, ao lado desta, há a aclamação. Vejo poesias em nuvens. Vejo prosas e contos em conversas rotineiras. As vezes a rima e o lirismo se aposentam. Mas, os paradoxos brotam feito água do chão, no alto das montanhas e perante o silêncio das noites sem estrelas.
Há algo dentro de mim que se expande. Abre os braços... e abraço efusivamente... Mas, também há aquela parte de mim que se recolhe. Que se retrai em encolher quase tão magicamente que quase desaparece... Dilui-se no contexto, escorre pela tinta das paredes, percorre ventos e tempestades e, vai desaguar numa lágrima no canto dos olhos. Discreta e sutil. Nas ondas revoltas do pensamento há pertencimento e identidade mas também há laconismo e dipersão. É como as palavras me traíssem, e adúlteras expressassem algo que está sub-reptício, mental e quase telepático. É como os fonemas tivessem feromônios e, atraíssem sentimentos, emoções e instintos prontos para perpetuar a espécie. Mas, é verdade, é mais fácil romper vínculos do que formá-los. É mais fácil desistir do que enfrentar as demandas, os impasses e as agonias. É mais fácil apenas hesitar, sem jamais, decidir. Escolher, e sabemos, tristemente que toda escolha representa uma perda... Por isso, há dentro de mim, uma parte vencedora e a outra perdedora. A que perdeu a cadelinha linda que gostou, a que renunciou ao melhor pedaço do bolo, da festa ou da alegria. Só para saborear a delícia de observar, decifrar, analisar e carcomer o mundo com um pouco de ironia e comicidade. Com a alma arguta de um gato que pula de telhado em telhado, sem cair jamais. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 23/07/2018
Alterado em 24/07/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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