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![]() Tem dias que nos tem como fosse um catre.
Começa cedo, com os primeiros raios de sol E nos aprisiona na existência, até o quedar-se em rubro e sangue. Há hemorragias clássicas onde escorre a vida pela cor que coagula. Há mágoas cíclicas. Dos que nos rejeitam. Dos que nos desafetam. E rosnar sua ira implacável e inexplicável. Ninguém quer ser o próximo alvo. Ninguém quer tombar na luta. Todos querem ser vencedor em tudo. Ser bravos e destemidos guerreiros ainda que a guerra seja injusta. Ainda que as armas sejam sujas. Ainda que a causa nem valha a pena... Tem dias que nos põe de castigo, a observar impávido toda bizarrice... Não há respostas. Não há porquês. Há um constrangimento por presenciar tanta desumanidade. E, prossegue o tempo por entre ponteiros e dúvidas. E, prossegue a desesperança entre alegrias e tristezas. Na gangorra assimétrica, no tira-teima dos afetos. Tem dias que se fazem noites estreladas. E, noites estreladas que raiam como se fossem sóis... E no silêncio concêntrico, paira a poesia inerte, aguardando a mão que lhe vai acariciar e fazê-la desabrochar... Uma flor dentro de catre e a liberdade das pétalas nos ensina a esperar a primavera e, a entender o inverno. Tem dias onde há tanto pertencimento que tudo que desejamos é não possuir nada, nem a si mesmo. Queremos ser plenos, vagos, imprecisos e abstratos. Queremos apenas viver entre dias e noites. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 15/05/2018
Alterado em 24/07/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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