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![]() Direito poético
Ele tem direitos. Ela tem direitos. Ele tem deveres. Ela tem missões. Pesam sobre os ombros séculos de submissão e escravidão. Olhos oblíquos Lágrimas Retas. Afetos sinuosos. A mão que tateia a alma. A alma que scaneia o corpo. Tanta informação. Tanta geografia. Tanta genética Em equações enigmáticas. Em variáveis suspeitas. Inexatas. Inequívocas. Certas da total incerteza. Mergulhadas em infinitos paradoxos. A razão não comanda a emoção. O inconsciente nos molda o perfil. A história é contada pelos vencedores. A emoção rebate no inconsciente e se esvai no abismo das entranhas. E o ser humano demasiadamente humano submerso em castas, em hierarquias, em rótulos, indumentárias, estigmas, cores, raças e religiões. Etiquetas a indicar conteúdos. Tabuletas a indicar o sub-reptício E entabular estratégias de convivência e uma possível sobrevivência. Ele tem direitos. Direito ao esquecimento. Ela tem direito. Direto a ter afetos. Ele não consegue esquecer. Ela não consegue amar. E seguem esquecendo-se na prateleira do vento numa tarde de outono. Passa uma folha bailando diante de tudo. Leve, livre e completamente destinada a trazer frutos para um futuro improvável. Mas tudo o que quero é ter direito a poesia. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/03/2018
Alterado em 22/10/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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