![]() |
|
![]() Dia morno
Olhar retilíneo Fugidio Não queria a luz e nem a treva. Não queria nem a reta e nem a curva. Queria flutuar Queria contemplar o azul do céu, a dispersão das nuvens. E ouvir o silêncio semântico dos corpos. Dia morno. O vento acaricia as árvores. A folha morta em seu ballet cai e repousa como um cisne no chão... crepitante, enigmático e estorvante. Entro em casa. A chave conversa com a fechadura. A porta se abre. Magicamente, o segredo permite-me entrar. Finalmente. Quem me dera, abrir assim meu coração. Quem me dera, libertar meu lirismo pessimista e entristecido por essa violência cotidiana. Dia morno. Nem quente e nem frio. Nem chuva e nem sol. Há uma natureza expectante lá fora. Esperando silenciosa os morros, as florestas e os pássaros a atravessarem os céus num mantra faminto de verdade e confiança. As nuvens lá em cima conspiram alguma chuva Uma redinha. Gotas de orvalhos distraídas A molhar lentamente o dia. As nuvens lá fora, navegam por entre ondas de calor e espirais glaciais. Gotejar a vida homeopaticamente. Aqui fora Entre nuvens de pensamentos. Raios de ódio atritam com as circunstâncias. Gente barulhenta. Gralhas humanas a pleno pulmões. Crianças infelizes gritando por atenção. Não pediram para nascer. Então berram por merecer. E, a despeito de tudo ainda existe o dia morno, a confortável brisa sinuosa a contornar a curva antes da curva. A contornar o corpo, antes do nascimento. É o ninho de acaso tecido curiosamente pelo destino. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 25/02/2018
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


