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![]() Há uma ponte invisível
a unir paradoxos. Antinomias. Direito e avesso. Há ponte invisível a costurar as sílabas a formar palavras a construir semânticas E a dar sentido ao ponto de partida e ao ponto de chegada. Percorremos diariamente essa ponte invisível por vezes sob as luzes do poente por vezes sob o influxo do nascente. A luz e escuridão regam todas as coisas. Há uma solidão essencial em tudo. Há mistérios intrínsecos. Segredos não revelados. Mensagem nunca decifradas. Moléculas aprendem e se multiplicam. Íons aprendem e perdem ou ganham elétrons. Ora são ânios ou ânodos. Ora são cátions ou catiões. Atraem.
Repelem. Atraem-repelem... A viagem mais célere é a do pensamento. Que vai e se instala onde quer. Quando quer. Ultrapassa umbrais. Rasga as vestes talares. Vence barreiras de energia. Viver é um sacerdócio rigoroso e exigente. Aprendemos Erramos. Acertamos. Erramos novamente. Por esquecimento ou vaidade. Esticamos tendões, músculos. Exigimos muito do corpo perecível e finito. Erguemos as mãos. Em prece ou num pedido de socorro. Gesticulamos dores e aflições. Corporificamos afetos
próprios e alheios. E, continuamos a caminhar sobre a ponte invisível. Tramadas por passos, percalços, vitórias, derrotas e aprendizado. Ao final, quando finalmente chegamos a um horizonte provisório. Novos abismos nos defrontam. Somos testemunhas
genéticas de um script já costurado. Com pequenas nesgas entremeadas a permitir algum imprevisto ou improviso. O arbítrio, por vezes, é livre. Por vezes, condicionado. Mas, nesse corpo, nessa ponte tudo é possível. Inclusive sonhar com impossível. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/02/2018
Alterado em 15/08/2019 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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