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![]() Havia em seus olhos
um silêncio de monastério. As palpitações cardíacas
eram suaves. Tênues. Como se estivessem se despedindo O peitoral erguia-se lentamente e de sua boca ouvia-se alguns fonemas incompreensíveis. Perguntava-me: qual significado importava naquela soturna hora? O que queremos dizer. às vascas da morte a balbuciar alguma semântica ou chorar a derradeira mágoa? Ou apenas deixar um
vestígio enigmático Que nem o tempo
irá decifrar. Tudo é registro.
Nosso corpo é registro. Nossas palavras. Nossos escritos. E os fonemas enigmáticos despidos de lógica ou metafísica. Tudo é registro. O silêncio sólido e rotundo As paredes a guardar os quadros que tortos indicam o limite reto de tudo. Tudo é registro. A mão que acaricia. A lágrima não vertida. O sentimento patético guardado a sete mil chaves. A porta fechada ou aberta. Ou melhor, entreaberta. Tudo é registro
a cor da roupa. A forma de comer. Os talheres a cortar o que será digerido. Carcomido e desaparecido. A manhã registrada no horizonte.
A nuvem sobrevoando a paisagem. No céu falsamente azul. E a chuva fina a umedecer os desejos que morrem na seca. Tudo é registro. A palavra, o gesto e, por fim, o silêncio definitivo: a morte. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 31/01/2018
Alterado em 31/01/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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