![]() |
|
![]() A pobreza dos olhos Secos, sem brilho A aspereza das mãos Dedos rachados, destinos traçados na palma da mão dolorida e calejada. Corpo esguio Cabelos ao vento Sujos e poeirentos A mirada ao chão como suínos Sem nenhuma dignidade para erguer a cabeça acima dos ombros. O caminho palmilhado parecia infinito. Cada pedra, cada árvore seca ou cactos E, o céu incendiado pelo entardecer. Um passo, uma pegada e algum vestígio. Talvez fosse possível comer as cinzas. Abrandar o fogo interior Nas lágrimas na colina imaginária. Ou no gelo do coração adormecido. Veio a chuva E, tudo ficou hídrico e lindo de repente Lamacento Colorido. Palpável. O ocre amarelou-se. O vermelho, roseaseou-se E por fim, sobre o negro mágico da noite. As estrelas vieram narrar em sussurros o que o outro dia trará. Profecias. Olhos tristes Lágrimas caminhantes Espinhos recentes Rosas, violeta e orquídeas. Havia uma primavera implícita. Um verão suspeito. Um inverno inverossímil. E, o outono a revelar nas folhas a direção dos ventos e o sabor dos frutos. A boca recita a reza possível para uma crença apenas provável. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 03/01/2018
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


