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![]() Despertencimento
Não pertenço a mim mesma. Nem a esse tempo. Nem a esse caminho. Não estou amarrada no cais. E nem pendurada no abismo. Não pertenço a ninguém. A nenhum vínculo, enlace ou algema. A nenhuma ideologia, crença ou cisma. Estou a pertencer ao presente de razões e emoções absurdas. Aos paradoxos diários. Aos enigmas indecifráveis. Nas linhas transcritas mas não traduzidas. A semântica do silêncio. A psicografia dos espíritos sobre a carne. A pantomima dos gestos e indumentárias. A pegada sobre a areia apagada pela onda do mar. Símbolos vestem-se de gente. Gente vestem-se de espíritos. Espectros transcendentes. Além das cores, além das horas e dos recintos Não pertenço a tudo isto. Não pertenço nem a mim mesma. Perco-me no torvelinho dos hábitos e aprendizados. Na disciplina de escrever, descrever, inscrever... Na letra cuspida no papel e a poesia escarrada das entranhas. Não pertenço a ninguém Sigo sem donos ou donas em despertencimento. Alheiando-me paulatinamente de apegos fúteis Mas guardo afetos indescritíveis... Recordo delicadezas sutis, dominações civilizadas a se imbricar, a contaminar, a ludibriar dias e séculos no sentido de operar o milagre de ser inesquecível. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 30/10/2017
Alterado em 02/11/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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