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![]() Ninguém presencia a dor.
A dor sofre solitária. Calada. Prostrada num canto. Imantada de saudades e suspiros. A dor de perder. A dor de sentir-se rejeitada. Odiada. Incompreendida. A dor de não ser aquilo que desejam. E nem aquilo que nós desejamos. O ideal perfeito e infalível que negamos todos os dias. Pois somos humanos. Erráticos. Atávicos. Vagamos entre a essência e a existência. Entre a alma e o corpo. Pulamos de costas da ponte para acordar de manhã, para novo e velho dia. E ficamos a sós com dores íntimas que latejam pela consciência afora. Pela loucura de ser apenas o que se é. E, pagar o alto preço de não se arrepender. De não voltar atrás. De não se redimir De não se quedar como vencida. Quando morremos Ainda assim a dor sobrevive em forma de poemas, de escritos, bilhetes, dilemas riscados em equações E explicados coerentemente por inequações. Sobreviventes que somos de todas as diferenças. Das misérias intrínsecas e das riquezas interiores. Nos irmanamos pela igualdade sonhada, pretendida e arquitetada em isonomia. A mendigar atenção e alguma alegria. Todos queremos a função do afeto. Queremos o alvo do afeto. E, se o afeto não existir. A gente inventa. Recria. Desenha. Ser vivente Balouçante ao vento. Ao pensamento. As ideias percorrem as pernas. Traçam caminhos E, cambaleantes caem mortas no torvelinho das paixões. As dores amam-se a si mesmas no reflexo diário do espelho sem fundo. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 06/09/2017
Alterado em 06/09/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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