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![]() Surrealismo
Silêncios microbióticos corroem textos, as vírgulas temem os parágrafos, as rimas temem o apocalipse do ponto final. Todos unanimamente adoram as reticências... não diz, insinua não proclama, seduz, conduz, e até, fatidicamente se dispersar nas primaveras mais sombrias ou nos invernos mais ensolarados. A pausa intercalada de som ainda é música. A pausa intercalada de palavras ainda é discurso. A pausa interposta na vida... é repouso, quarentena ou morte O suicídio das expressões A agonia dos sentimentos Os devaneios miméticos disfarçados de reflexão poética. Silêncios dietéticos. Eliminam calorias. Eliminam gorduras. Eliminam o prazer de comer ou falar. Pois tudo já estava escrito. Pois tudo já estava previsto. Pois tudo nasceu do nada, e, foi evoluindo até o alvorecer informar sobre o novo dia, sobre novo escrito, sobre novo que é velho e se renova. O silêncio do poeta é rima sincopada. O silêncio do príncipe é mesura nobilástica O silêncio do plebeu é agonia, fome ou suástica. São olhos desatentos. São nós que não atam. São mãos que não constroem. São inércias banhadas pelo tempo num infinito metabólico a corroer as vísceras. Denúncias acusam banalidades. Banalidades continuam as tragédias diárias Sem sentidos... A tontura guia os passos mediúnicos em direção ao abismo. O abismo da criação O fosso profundo da reflexão. Os escritos imantados em rezas, rituais e mantras. Exorcismos... Diabretes se libertam para a revolução. Transgrediem hierarquias e de sopetão... transformam silêncio em dialeto inteligente. O surrealismo enreda os paradoxos para se conciliarem com a poesia. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 11/07/2017
Alterado em 11/07/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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