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![]() Não tenho melhor poema
Não tenho melhor palavra Talvez toda rima exista em silêncio. E seja muito pequena. Talvez toda poesia seja muda. Talvez todo o lirismo seja surdo e paralítico. Não tenho a melhor notícia. Não tenho o melhor discurso. Talvez toda a razão exista simplesmente enlouquecida Dentro da lógica dialética. Na dialética metafísica. No acaso do descaso. No torvelim do abismo. Que gira. Que gera e geme. Onde os eixos se interceptam Onde cabeças são decepadas. Onde se castram machos Onde se emprenham virgens. Onde se abortam filhos indesejados. Despejados no poente. Não tenho a melhor dádiva. Não tenho o melhor valor. Não tenho a melhor justificativa. Talvez a dávida seja cármica. Talvez o valor seja provisório. Talvez a justificativa seja enigma. Indecifrável. Indeclinável. Indescritível. Há poemas dormentes nas pernas. Há pedras sagradas e incrustradas de perdas. Há rezas libertadoras como algemas. Há amarras sem cais. E um mar imenso de angústias e penas. Afogam-se mágoas. Torrentes chuvas inundam casas e cidades inteiras. Soterram vidas. E tudo que temos. É um microcosmos perdido num universo sem galáxias. E toda a energia depende de um íon. De um elétron perdido. De uma perda dinâmica. Não tenho o melhor poema. Nem a rima perfeita Nem o lirismo exato Minha matemática é estatística Vive de probabilidades Vive de esperanças Por vezes, traduzidas Por vezes, traumáticas. Por vezes, semânticas. Muitas vezes, humanas. Mortais e provisórias. Por vezes, distantes de ter, ser ou estar. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 30/06/2017
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