![]() |
|
![]() Recuse os sentimentos
As condolências A autopiedade. Recuse os cumprimentos cerimoniosos Recure a palavra escorregadia. A insana expressão. O gesto extracorpóreo. Inunde o lugar de sua alma De seus pensamentos. De sua presença. A aura silenciosa E cortante a dividir mundo em aflições e dúvidas. Recuse o egoismo. Recuse a imersão insólita na vaidade e regozijo. Perambule atrás de semânticas. Prescrute símbolos, sinais e reticências. Pule no abismo insondável da imaginação. Conheça o fundo dos poços, o fundo dos desertos, o fundo das geleiras. No mais árido e desabitado lugar. Procure a vida. Em grotas. Em gretas. Em vestígios.. Em moléculas. Em odores, gestos ou prosa. Procure o alento. Procure a explicação intrínseca do vento. Das primaveras envelhecidas. Dos verões inesquecíveis. Dos invernos esculpidos em lã. Das estações que pairam na eternidade. Desarrume o cabelo. Desalinhe-se. Proteja-se com a liberdade e assuma de vez a sua humanidade. Embutida. Empobrecida. Enobrecida. Enegrecida. Por debaixo das unhas. Debaixo de camas, de escamas, de plantas e miragens. Imagine-se mais humano do que realmente é... E sinta-se finalmente menor que toda sua recusa. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 24/06/2017
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


