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![]() Como esquecer você?
Você tem meus olhos Tem o meu olhar. Como esquecer você? Você tem meu infinito Você guardou meus melhores anos O sorriso de juventude, as saias longas e as sandálias de andarilha Procurei copiosamente esquecer, arquivar, desintegrar. Mas a presença era espessa. Sombras. Nódoas. Ranços. Tatuagem de vento Marcas invisíveis Símbolos e enigma. A palavra e o silêncio em simbiose perfeita Faziam rir-me de toda a distância De toda amnésia. Da falta de sentido dolorido e inepto. Cancelei o sofrimento. Apaguei todas as reticências. Procurei em vão Um bilhete. Uma despedida. Uma pista A me indicar razões ou desrazões. As discrepâncias Estavam impressas no monograma que você esqueceu. Primeira letra. Primeira ignorância. Primeira hipótese. Nunca chegarei ao fim da dialética. Atravessou-se um diâmetro inteiro. E um raio de Iansã Num risco vermelho fez-me entender a tempestade. Fez-me sorver as gotas de lágrimas e chuvas. Os atabaques ao longe abrigavam o ritmo de gemidos e tristezas. Esqueci. Perdoei. Abortei. A vida de sentir e interagir. Sou expectadora do ensaio de emoções apagadas. Não sobrou nada. Nem ternura. Nem lembrança. Nem o antídoto para a mágoa. Todas as perguntas foram respondidas pela indiferença. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 02/01/2017
Alterado em 07/08/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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